Centro-Sul do Ceará mostra potencial para a uva
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Agronegócio

Centro-Sul do Ceará mostra potencial para a uva

A produção da fruta vem mudando a paisagem do sertão na região Centro-Sul. Cultivo está em crescimento
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Água, terras planas e férteis forma um quadro favorável para o cultivo de uva e outras frutas na região Centro-Sul

Iguatu. Na região Centro-Sul, este Município é o maior produtor de uva. São seis hectares implantados e uma produtividade média de 20 mil kg por hectare, de acordo com dados da Secretaria de Agricultura de Iguatu. As unidades foram implantadas há três anos, após uma mobilização local junto aos produtores rurais.

A ideia era atrair um maior número de pessoas dispostas a cultivar videira em face da possibilidade de maior lucro em relação às outras fruteiras e de um amplo mercado consumidor no Estado. Até agora o esforço conjunto da Secretaria de Agricultura e do Instituto Agropolos conquistou quatro produtores. Dois deles, José Dantas e Francisco de Souza, estão produzindo com regularidade e satisfeitos com os resultados. Segundo os técnicos, um dos principais empecilhos é o elevado custo de implantação do parreiral, bem superior às tradicionais fruteiras.

A produção em torno de 20 mil quilos por hectare ano tem relação com o tempo de implantação da cultura. A uva chega a estabilizar a produção somente após o quarto ano de implantada e, com bons tratos culturais, pode alcançar uma produção média de 40 mil kg por ha. O ciclo produtivo do parreiral é de quatro meses. Com o intervalo de descanso, garante ao produtor duas safras e meia por ano.

Parceria

As primeiras colheitas começaram numa área de 1,2 hectare (ha), localizada no Sítio Várzea de Fora, próximo à cidade de Iguatu. O produtor rural José Dantas foi um dos primeiros a aderir, no início de 2007, ao projeto implantado pela Secretaria Municipal de Agricultura, em parceria com o Instituto Agropolos e com os produtores da região.

Depois de três anos de trabalho, Dantas mostra-se satisfeito. A implantação do projeto, investimento e custeio, na fase inicial, foi de R$ 80 mil. "As nossas perspectivas são boas", diz Dantas. "Já estamos conseguindo passar de 20 mil quilos por hectare ano.

De acordo com o técnico agrícola, que tem experiência com a produção de uva no Vale do Rio São Francisco na Bahia e em Pernambuco, Abílio do Nascimento, o mercado de frutas é amplamente favorável. "Não há dificuldade de escoamento da produção, pois a demanda é elevada e o Ceará não produz quase nada em relação ao que importa e consome", explicou. "Iguatu tem potencial de água e de solo de alta qualidade".

Água, terras planas e férteis formam um quadro favorável para o desenvolvimento da fruticultura na região Centro-Sul. Três anos após a implantação do projeto de fruticultura, Iguatu já desponta como o maior produtor do Centro-Sul. São áreas irrigadas. Estão em produção, 120 hectares de banana, 35ha de goiaba, 6ha de maracujá, além de melancia, mamão, tomate, abóbora e milho verde.

A produção de uva vem mudando a paisagem do sertão da região Centro-Sul. No Sítio Lagoa Seca, zona rural deste Município, a produção é crescente das variedades Itália Melhorada (verde) e Benitaka Brasil (roxa), numa área de dois hectares. Neste semestre, ocorre a quarta colheita da unidade produtora. O produtor Francisco de Souza, mais conhecido por Fran, um dos pioneiros na produção da cultura, está otimista com o desenvolvimento do plantio e satisfeito com o resultado obtido até agora.

Nesta safra de verão, ele espera colher 30 toneladas. A produção aumenta. "Neste ano, vamos recuperar o investimento de R$ 80 mil na implantação do parreiral", prevê Fran de Souza. "O nosso projeto deu certo e vou ampliar a área em mais um hectare", afirma. O preço pago ao produtor pelo quilo da uva é de R$ 2,50 e nos mercadinhos e na feira, o consumidor paga R$ 4,00 pelo quilo do produto.

NOVO CULTIVO

Serra do Araripe também dá morango

Nova Olinda. Há quem custe a acreditar que estão sendo cultivados morangos em plena Serra do Araripe. A experiência é num pequeno canteiro econômico, localizado na Serra do Catolé, em Nova Olinda. O fruto agora é real. Após um ano de insistente trabalho, regando todos os dias as plantinhas, o agricultor José Cazuza da Silva, o José Padre, viu os frutos finalmente aparecerem. O cultivo foi iniciado apenas com uma única muda, ofertada por uma amiga. Não deu outra: são dezenas de outras em meio à agrofloresta de um amante da natureza.

De todas as experiências com plantas de José Padre, essa tem sido a que ele está tratando com um zelo extremo. Também, explica ele, chegou a passar um dia sem regar e no final da tarde a planta estava bem murchinha. "O morangueiro é muito sensível e que precisa estar sempre com água", acrescenta. Só em ter sobrevivido para ele já é um grande resultado, a quem parece sempre estar testando a sua capacidade de romper barreiras em novos cultivos.

A água para regar as plantinhas sai da cisterna de placa. Nesse tempo, água armazenada na serra, que não seja em cisterna, praticamente não existe. O jeito é economizar ao máximo para ter sempre, mesmo que sendo quase a conta gotas.

Até o canteiro é adaptado para essa finalidade. O agricultor utilizou uma lona preta num cercado retangular com tijolos e uma camada de terra bem adubada para a experiência dar certo. Algumas outras mudas estão em pequenos sacos. A experiência bem vinda poderá resultar já na negociação com mudas, por exemplo. Para ele não seria uma má ideia.

O plantio com os morangos é o mais recente, dentre as culturas que experimenta nos seus cinco hectares de terra. Na Chapada do Araripe o que parece uma fruta desconhecida para a maioria dos moradores passou a ser um capricho no pequenino plantio de José do Padre. Os morangos brotaram depois de um ano de cultivo.

Prova de paciência

Mas, segundo o agricultor, ainda não dá para comercializar o produto. A produção não oferece oportunidade para a venda. São poucas unidades e a criançada é quem acaba aproveitando. "Quando cheguei aqui, nessa terra não nascia nada. Agora, já sai algumas plantinhas, naturalmente", diz, considerando um lucro os moranguinhos que conseguiu colher.

E essa prova de paciência chama a atenção para quem passa pela frente do seu terreno. No canteiro econômico, José do Padre dividiu a plantação com o coentro, mas o morango começou a crescer em ramos.

Outra experiência com a fruta está acontecendo em Barbalha. No distrito do Caldas, moradores investiram no cultivo do produto e tem obtido bons resultados. Para os moradores, tem sido uma descoberta, que poderá tornar o Município uma referência nesse novo tipo de produção de frutas.

MAIS INFORMAÇÕES

Secretaria de Agricultura, Município de Iguatu
Centro-Sul


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