A fábrica da Cargill em Primavera do Leste é a sétima da multinacional no País. Mas, qual a razão para a instalação da indústria naquele município? O diretor do Complexo Soja da Cargill no Brasil, José Luiz Glaser, explicou a razão da escolha. O executivo disse que em outubro de 1998, a Cargill decidiu instalar uma fábrica em Mato Grosso, mas sem definição de local. Esse projeto foi abortado em razão do surgimento do mal da vaca louca, na Europa.
A época a Cargill enfrentava problema localizado para suprir sua fábrica em Uberlândia (MG), porque Goiás criava barreiras para impedir o escoamento de soja goiana para Minas, como forma de pressionar para que seu beneficiamento fosse feito em Rio Verde, onde a Cargill tem uma indústria.
A logística mostrava que era imprescindível a instalação de uma indústria em Mato Grosso para maior capilarização da Cargill. A praça escolhida por Glaser foi Sinop, à margem da BR-163, porque a multinacional tem um porto de Santarém (PA), que é o ponto mais ao norte daquela rodovia. Depois de demorados estudos de viabilidade econômica a cidade foi descartada, por sua localização geográfica - distante dos grandes centros e à época sem perspectiva de conclusão da pavimentação da BR-163, de Nova Santa Helena a Santarém.
Sem Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá), a opção foi Sorriso (460 quilômetros ao norte da Capital), também na BR-163, mas a cidade esbarrou no mesmo problema de Sinop.
Insistindo na BR-163, Glaser escolheu Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao norte de Cuiabá), mas logo após essa opção recebeu um telefonema de Blairo Maggi que o fez partir em busca de outro local: o governador lhe disse que o Grupo André Maggi construiria uma indústria de óleo de soja em Lucas.
Nova Mutum (269 quilômetros ao norte de Cauibá) foi a quarta tentativa na BR-163, mas antes da Cargill chegou por lá a Bunge, com uma fábrica.
Descartadas as cidades da BR-163, Glaser martelava atrás de um município para instalar a fábrica. Numa reunião estratégica da diretoria, o líder da Gerência Nacional Comercial da Cargill, Waldir Bertolini, sugeriu Primavera do Leste. Bertolini disse a Gleiser que conhecia Primavera do Leste desde os anos 1970 e que a logística de transporte, localização geográfica, energia e o volume da produção agrícola regional garantiriam sucesso ao projeto.