Chegada da primavera movimenta produção de flores no Espírito Santo
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Agronegócio

Chegada da primavera movimenta produção de flores no Espírito Santo

O cultivo de flores tem se mostrado uma alternativa de geração de renda às famílias que vivem no meio rural
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A chegada da primavera, além de trazer a alegria e exuberância de flores e plantas ornamentais, proporciona rentabilidade aos agricultores que realizam esse cultivo em suas unidades de produção familiar.

Considerada uma estação do ano de transição entre o inverno, frio e seco; e o verão, quente e úmido, a primavera caracteriza-se por mudanças aceleradas nas condições de tempo. “No Espírito Santo, nos meses de outubro, novembro e dezembro, há um aumento no índice de chuva, marcando a passagem da estação seca para a estação chuvosa. As chuvas ocorrem devido ao aumento gradativo das temperaturas e dos índices de umidade”, explica o meteorologista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Bruce Pontes.


A conjugação das condições de solo, clima e temperatura do período proporcionam o florescimento e a produção abundante das flores. “Nessa estação, a beleza das flores é realçada, pois ocorre o término de um período frio para um de temperaturas mais elevadas, o que favorece a florescimento das plantas”, explicou o coordenador do Polo de flores e plantas ornamentais do Incaper, Carlos Alberto Sangali Matos.

A média acumulada de precipitação para a estação fica acima dos 600 mm na região do Caparaó capixaba e Região Serrana; entre 500 e 600 mm no Sul e entre 400 e 500 mm nas demais regiões. As temperaturas máximas médias ficam em torno dos 26ºC na Região Serrana e 30ºC nas demais regiões. As temperaturas mínimas médias ficam em torno dos 16ºC na Região Serrana e 20ºC nas demais regiões.

Alternativa de renda


O cultivo de flores tem se mostrado uma alternativa de geração de renda às famílias que vivem no meio rural, sobretudo na Região Serrana capixaba, com destaque para os municípios de Santa Teresa, Domingos Martins e Marechal Floriano. Nessas localidades, espécies de flores características de clima temperado se destacam, como rosas, gérberas e crisântemo. Contudo, em regiões de clima mais quente, como em Linhares, também é crescente a atividade de floricultura, com espécies de clima tropical, como antúrio, elicôneas, plantas de forração e gramas.


De acordo com o produtor Carlos Devens do Nascimento, que cultiva flores no Valão de São Lourenço, em Santa Teresa, a atividade de floricultura apresenta bons resultados econômicos. “Entrego minhas flores todas às quintas-feiras na Grande Vitória e chego a receber R$ 2.000 na semana”, afirmou. Ele cultiva flores desde 2006 e suas principais espécies são a gipsofila, cáspia e boca de leão.

O complemento de renda com a floricultura também é confirmado pela agricultora Laura Faria Fernandes, que mora em São Miguel do Caparaó, em Guaçuí, município de destaque na produção do copo de leite. “Costumo colher 150 dúzias de copos de leite por semana, o que gera um complemento de renda de R$ 1.000 por mês”, disse Laura. Ela afirmou ser a pioneira na produção do copo de leite na cidade, tendo iniciado a produção há 13 anos.

No município de Guaçuí, além do copo de leite, tem crescido o cultivo de antúrio. Essas flores são comercializadas para floriculturas, decoradores e cerimoniais de eventos do Sul capixaba, Norte fluminense e Zona da Mata mineira. “O Incaper tem feito um trabalho no município para ampliar a área de diversificação da produção com a introdução do cultivo de flores. Tem sido uma importante alternativa de complementação de renda, gerando, em média, um salário mínimo mensal por família”, explicou o extensionista do Incaper, Maxwel Assis de Souza. Ele disse que as famílias assistidas pelo Instituto produzem, em média, 1.200 dúzias por semana de copos de leite.


Floricultura: mercado em expansão no Espírito Santo

“O mercado de floricultura no Espírito Santo é promissor. O consumo de flores e plantas ornamentais tem aumentado bastante. Porém, importamos 80% de outros estados, principalmente São Paulo, o que indica que há mercado interno que precisa ser ocupado com produção local”, afirmou Carlos Alberto Sangali Matos.

Por ano, a floricultura gera R$ 13 milhões para a economia do Espírito Santo. No entanto, apenas 20% desse valor retorna a agricultores capixabas. “É preciso incentivar mais a floricultura, pois é um trabalho que pode ser desenvolvido em pequenas áreas da propriedade e com mão de obra familiar”, disse Sangali.

O cultivo de flores, no entanto, requer cuidado e paciência, como ensina a agricultora Laura Faria Fernandes: “Para cultivar flores, a pessoa tem que ter amor. Eu adoro mexer, molhar, cuidar. A cada dia você vê a flor mais bonita e se ela não estiver bela, você procura saber os motivos. É um cuidado diário que precisa ter”, falou Laura.


Para saber mais informações sobre a produção de flores, tanto em regiões de clima mais ameno quanto em localidades de clima mais quente, basta procurar os Escritórios Locais de Desenvolvimento Rural (ELRD) do Incaper, que irão direcionar as demandas para os técnicos do Instituto especializados no assunto.

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