As cotações do trigo em Chicago acabaram recuando na semana, fechando a quintafeira (30/04) em US$ 5,29/bushel para o primeiro mês cotado, contra US$ 5,19 na véspera e US$ 5,47/bushel uma semana antes. A análise é da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário.
Este recuo se deve ao fato de que as lavouras de trigo de inverno nos EUA estarem dentro da normalidade, apesar de leve piora na semana, com as mesmas, até o dia 26/04, apresentando 54% em condições entre boas a excelentes, 31% regulares e 15% entre ruins a muito ruins. Já o plantio do trigo de primavera atingia, na mesma data, 14% da área esperada, contra 29% semeado na média histórica nesta data.
Durante a semana a menor oferta mundial e a recuperação nos preços do petróleo deram alguma sustentação às cotações, porém, as exportações estadunidenses não avançaram muito, esfriando o entusiasmo. De fato, as vendas líquidas de trigo estadunidense, para o ano comercial 2019/20, ficaram em 244.700 toneladas na semana encerrada em 16/04, o que representou um recuo de 22% sobre a média das quatro semanas anteriores. Para o ano 2020/21 foram mais 155.200 toneladas exportadas.
A soma dos dois anos acabou ficando dentro do esperado pelo mercado. Já as inspeções de exportação nos EUA atingiram a 501.333 toneladas na semana encerrada em 23/04, acumulando, no ano comercial atual, um total de 22,5 milhões de toneladas, contra 21,4 milhões um ano antes nesta data.
Por sua vez, houve pressão baixista vinda da perspectiva de uma colheita maior na Europa e junto aos países do Mar Negro em função da melhoria do clima local. Somase a isso a redução parcial no consumo, devido a pandemia da Covid-19.
Na Argentina, o preço FOB oficial ficou em US$ 241,00/tonelada. Com o câmbio atual, esta tonelada chega aos moinhos paulistas valendo R$ 1.430,00 e em Curitiba a R$ 1.335,00, mantendo a possibilidade de novas altas nos preços do produto brasileiro quando comparados à paridade de importação. Para novembro a tonelada de trigo na Argentina ficou em US$ 213,00.
Aqui no Brasil os preços se mantiveram firmes, com o balcão gaúcho avançando para R$ 48,35/saco, enquanto os lotes permaneceram em R$ 60,00/saco. No Paraná, o balcão cotou o saco de 60 quilos entre R$ 56,00 e R$ 63,00, enquanto os lotes continuaram entre R$ 69,00 e R$ 72,00. Já em Santa Catarina, o balcão fechou a semana entre R$ 47,00 e R$ 48,00/saco, enquanto os lotes, na região de Campos Novos, ficaram em R$ 63,00/saco.
Mesmo com o câmbio cedendo um pouco durante a semana, a dificuldade para aquisição de produto na Argentina e a pouca oferta interna no Brasil impediram um recuo nos preços. Com isso, os derivados do trigo já começam a ter seus preços elevados, atingindo entre 15% a 20% acima do registrado na mesma época do ano passado.
Diante disso, voltam as pressões dos importadores sobre o governo para que as taxas de importação, de trigo procedente de fora do Mercosul, sejam zeradas. Por enquanto, o governo não atendeu tal demanda. Em tal contexto, a tendência dos preços é de preços em alta até fins de agosto, início de setembro, quando entra a nova safra. E o clima passa a ser o elemento central nesta análise, assim como a área que será semeada neste ano, particularmente no Rio Grande do Sul, Estado que sofreu uma quebra importante em sua safra de verão. Outra variável que não se pode esquecer é o câmbio. Em o Real se valorizando, após as disparadas dos últimos três meses, o produto importado ficará mais barato em moeda nacional, facilitando as compras externas e pressionando para baixo os preços internos. Caso contrário, os preços locais tendem a permanecer nestes níveis e, talvez, um pouco mais elevados até a colheita da safra nova. Aliás, o câmbio atual aumenta o custo de produção da lavoura, fato que pode inibir o aumento esperado na área semeada.
Este quadro estaria levando o Paraguai a, talvez, aumentar sua área semeada com trigo, visando abastecer parcialmente o Brasil, pois sua colheita é bem mais cedo do que a da Argentina, embora venha na mesma época da paranaense. Pelo sim ou pelo não, daqui até o início de setembro os moinhos brasileiros terão que voltar às compras, devendo pressionar para cima os preços locais, especialmente se o câmbio ficar nos níveis destas duas últimas semanas.