O trigo acumula forte desvalorização no mercado internacional. Em pouco mais de dois meses, as cotações na Bolsa de Chicago caíram 21,6%, passando de US$ 7,64 por bushel, em 1º de setembro, para US$ 5,99 no fechamento de quinta-feira (5). A queda ocorre mesmo com os Estados Unidos registrando o maior volume semanal de vendas externas do atual ano comercial.
Segundo a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o trigo voltou a ser negociado abaixo dos US$ 6 por bushel no dia 4 de novembro, quando atingiu US$ 5,98. A média de outubro ficou em US$ 6,39, uma redução de 11% em relação a setembro.
Apesar da queda recente, os preços ainda superam os níveis observados no ano passado. Em outubro de 2025, a média do cereal em Chicago era de US$ 5,11 por bushel. A comparação mostra que o trigo passou por um período de valorização antes de perder força nas últimas semanas.
Nos Estados Unidos, a implantação da safra de trigo de inverno segue próxima do ritmo histórico. Até 1º de novembro, o plantio havia alcançado 83% da área prevista, contra uma média de 84%. Do total semeado, 65% já havia germinado, exatamente o percentual esperado para a época.
No comércio externo, a demanda pelo trigo americano apresentou resultado expressivo. Na semana encerrada em 29 de outubro, as vendas internacionais somaram 849,8 mil toneladas, o maior volume semanal registrado até aquele momento no ano comercial.
As Filipinas lideraram as compras, com 226,3 mil toneladas. Na sequência apareceram Coreia do Sul, com 154 mil toneladas, Indonésia, com 140 mil, Vietnã, com 100,7 mil, e México, com 93,3 mil toneladas. Também foram registradas vendas de 22 mil toneladas ao Peru para a temporada comercial 2027/28.
Enquanto as exportações apresentaram bom desempenho, o consumo da indústria americana de farinha recuou. Entre julho e setembro, os moinhos processaram 6,2 milhões de toneladas de trigo, volume 119,7 mil toneladas inferior ao registrado no mesmo trimestre de 2025, conforme relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Outro fator acompanhado pelo mercado é a participação da Rússia nas exportações mundiais. A consultoria IKAR estima que o país deverá embarcar 39,5 milhões de toneladas de trigo na temporada 2026/27, mantendo uma oferta expressiva para os compradores internacionais.
A combinação entre cotações mais baixas, exportações americanas aquecidas e concorrência entre países fornecedores mantém o mercado atento aos próximos indicadores de oferta e demanda. Para os países importadores, a redução dos preços internacionais pode favorecer as compras, enquanto produtores e exportadores acompanham os efeitos da desvalorização sobre a comercialização do cereal.