O preço do trigo no Brasil não subiu como esperado diante das perdas de produção e qualidade da safra atual. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o trigo tipo 1 é negociado em torno de R$ 72 por saca no Rio Grande do Sul, com perda de força, enquanto no Paraná permanece próximo de R$ 80 por saca. A dificuldade de encontrar cereal com qualidade adequada preocupa os moinhos, especialmente na região Sul.
A pressão sobre as cotações ocorre mesmo diante da quebra expressiva da produção nacional. No mercado internacional, a queda dos preços em Chicago favorece as importações, enquanto a desvalorização do real beneficia o trigo brasileiro destinado à exportação.
No Rio Grande do Sul, o trigo tipo 1 está cotado ao redor de R$ 72 por saca, com sinais de enfraquecimento. No Paraná, os preços permanecem próximos de R$ 80 por saca, conforme os dados divulgados pela CEEMA.
A formação dos preços internos depende das condições de oferta e da qualidade do cereal produzido no país, além da competitividade do trigo importado, especialmente o proveniente da Argentina.
A queda das cotações em Chicago contribui para tornar as importações mais competitivas. Por outro lado, o câmbio continua exercendo pressão desfavorável sobre os custos de aquisição do produto estrangeiro. Para o trigo brasileiro destinado à exportação, a desvalorização do real representa uma condição favorável.
Em São Paulo, as perdas na produção e na qualidade reforçam as dificuldades enfrentadas pelo setor. Segundo informações do Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo, as chuvas registradas ao longo de setembro provocaram uma redução acentuada da qualidade do cereal.
A estimativa da entidade é de que apenas 10% a 15% de todo o trigo colhido no estado possa ser classificado como tipo 1. Além disso, a produção paulista deverá ficar abaixo de 20% do volume inicialmente esperado, de 350 mil toneladas. O cenário evidencia os impactos das condições climáticas sobre a oferta de trigo com qualidade adequada para a indústria de moagem.
Na região Sul, agentes de moinhos relatam dificuldades para encontrar trigo com os parâmetros de qualidade necessários à fabricação de derivados. Parte das indústrias continua negociando os estoques remanescentes de safras anteriores, cuja qualidade superior tem sustentado preços elevados pedidos pelos vendedores. O trigo da colheita atual também apresenta problemas. Mesmo os lotes classificados como tipo 1 frequentemente registram parâmetros de qualidade fora dos padrões exigidos pelos moinhos, o que dificulta a comercialização.
Segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os lotes classificados como fora de tipo têm sido destinados à alimentação animal, tanto no mercado interno quanto para exportação.
A combinação entre quebra de produção, perda de qualidade e dificuldades de abastecimento da indústria mantém o mercado brasileiro de trigo em um cenário desafiador.
Apesar da redução da oferta nacional, os preços não apresentaram a alta esperada. A competitividade do cereal importado, principalmente da Argentina, e o comportamento das cotações internacionais seguem entre os fatores que influenciam a formação dos preços no mercado interno. Ao mesmo tempo, a desvalorização do real favorece as vendas externas do trigo brasileiro, enquanto a indústria precisa buscar alternativas para garantir o abastecimento com matéria-prima dentro dos padrões de qualidade exigidos.