Chuvas atrasam colheita da soja e aumentam pressão logística nos portos
Perspectiva de colheita cheia está ancorada nos primeiros relatos de produtividade
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O mercado da soja iniciou 2026 em meio a incertezas climáticas e expectativas mistas quanto à produção. Segundo dados divulgados pela Grão Direto, as condições meteorológicas desempenharam papel central na oscilação dos preços e nos rumos da comercialização na última semana. No Sul do país, as chuvas associadas a um ciclone ajudaram a recuperar lavouras mais tardias, reduzindo o risco de perdas. Já no Centro-Oeste, o excesso de umidade trouxe preocupação com a qualidade dos grãos e atrasou os trabalhos de campo, fator que, por ora, sustenta os prêmios pagos no curto prazo.
Na Bolsa de Chicago, o contrato de março/26 encerrou a sexta-feira cotado a US$ 10,56 por bushel, com leve recuo de 0,66%. A expectativa de uma safra brasileira recorde, estimada pelo USDA em 178 milhões de toneladas, limitou o potencial de valorização internacional, apesar da presença da demanda global.
No mercado físico brasileiro, os preços reagiram de forma localizada, impulsionados pela movimentação nos portos. A ANEC revisou para cima as exportações de soja em janeiro, prevendo embarques de 3,73 milhões de toneladas — um salto de 55% sobre a projeção anterior. Esse movimento aqueceu a demanda e trouxe impactos distintos sobre os prêmios nos portos.
Enquanto o índice FOB Santos registrou queda de 2,52%, encerrando a semana a R$ 130,10 por saca, o FOB Rio Grande mostrou maior firmeza, com recuo mais moderado de 1,28%, fechando em R$ 130,90. O câmbio estável, próximo de R$ 5,40, contribuiu para essas variações.
Para os próximos dias, o ritmo da colheita deve concentrar a atenção do setor. A previsão de chuvas contínuas em estados como Mato Grosso e Goiás pode comprometer o escoamento nos portos. Em caso de atrasos no carregamento de navios, o mercado pode enfrentar demurrage — multas por espera —, o que tende a pressionar os prêmios ao produtor. Por outro lado, a escassez temporária de grão disponível pode gerar oportunidades para negociações pontuais com preços mais agressivos.
A perspectiva de colheita cheia está ancorada nos primeiros relatos de produtividade, especialmente no Mato Grosso, onde médias superiores a 60 sacas por hectare vêm sendo registradas. No entanto, a sustentabilidade desses resultados nas áreas semeadas mais tardiamente será determinante.