Clima pode elevar o preço dos grãos no mercado interno

Agronegócio

Clima pode elevar o preço dos grãos no mercado interno

Falta de chuva no Paraná e o excesso da mesma em Minas Gerais podem ajudar a apreciar o preço de alguns grãos como milho, café e feijão
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SÃO PAULO - A falta de chuva no Paraná e o excesso da mesma em Minas Gerais podem ajudar a apreciar o preço de alguns grãos como milho, café e feijão, produtos que sofreram desvalorização nessa safra. A previsão do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná é de que a safra de grãos de verão e inverno 2008/2009 seja 21% menor que no ano passado, saindo de 32 milhões de toneladas para 25,3 milhões de toneladas. A cultura mais ameaçada, de acordo com o Deral, é o milho, que poderá sofrer uma redução de 27,6%.

De acordo com Francisco Carlos Simioni, diretor do Deral, as áreas mais afetadas estão nos municípios de Toledo e Cascavel, regiões que, juntas, respondem por cerca de 37% dessa safra com 570 mil hectares plantados em um total de quase 1,5 milhões de hectares em todo o Estado. "Foi a estiagem que provocou a queda", disse. Simioni alerta que ainda existem áreas suscetíveis a geadas: são cerca de 700 mil hectares nas regiões de Campo Mourão, Cascavel, Maringá e Toledo. Juntas, elas representam 67% da área e 75% da produção total estimada, segundo o Deral.

A quebra da safra pode impulsionar as cotações ou pelo menos inibir novas quedas no preço dos grãos. Em junho, os produtos postos em Campinas sofreram redução de 2,41%. "Os preços do milho seguiram em queda nos últimos dias devido à maior oferta do produto por conta do avanço da colheita no Brasil. Além disso, a menor demanda para exportação pressionou as cotações internas", avaliou Lucilio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O feijão é outro produto que vinha sofrendo perdas e com a diminuição da oferta começa a dar sinais de recuperação nos preços.

De acordo com a Federação de Agricultura e Pecuária do Goiás (Faeg), as perdas de safra no Paraná e a tendência de redução de plantio na terceira safra nacional vão contribuindo para a maior procura dos compradores pelos melhores tipos de carioca. O levantamento do Deral indica uma quebra de 22% na segunda safra em razão da falta de chuvas. O Estado colheu apenas 350 mil toneladas das 450 mil toneladas esperadas inicialmente. O reflexo já é sentido nos preços. O mercado do carioca na Bolsinha de São Paulo iniciou a semana com R$ 5 a saca de alta, negociado entre R$ 105 a R$ 110 a saca.

O excesso de chuvas também já deixa suas marcas na safra vigente. Na região Sul do Estado de Minas Gerais, principal produtora de café do País, os cafeicultores estão contabilizando os prejuízos após as lavouras terem sido atingidas por granizo no último fim de semana. Os ventos fortes chegaram a danificar um dos armazéns da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), maior cooperativa de café do Brasil. Outros segmentos do agronegócio também contabilizam danos. Em Minas, a chuva de granizo destruiu um milhão de pés de morango. Segundo o Sindicato dos Produtores Rurais, a perda equivale a R$ 2 milhões.

A Somar Meteorologia adverte os agricultores que uma forte onda de frio deve alcançar as áreas produtoras de café na segunda semana de julho. Além de Minas, São Paulo e Paraná também devem ficar alertas.

Estados Unidos

O levantamento divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado e derrubou o preço dos grãos. O aumento na previsão de área para o milho, que deverá chegará a 87,03 milhões de acres, ante 84,9 milhões previstos em março, provocou o limite de baixa no cereal. A tendência baixista acabou contaminando o mercado de soja que não apresentou baixas apenas para o contrato mais curto, no mês de julho. Os contratos da soja em grão com vencimento em agosto e novembro encerraram com baixa de 2,75 centavos de dólar por bushel e 2,50 centavos, respectivamente.

O USDA informou ainda que 68% da soja estão em estado bom e excelente, maior que os 67% da semana passada e dos 58% do ano anterior na mesma data, o que deve inibir uma forte retomada dos preços nos próximos dias. O mesmo deve ocorrer para o cultivo de milho, com 72% em estado bom/excelente, contra 70% da projeção anterior e 61% em 2008.


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