CNA e consultoria internacional debatem desafios para o agro brasileiro com a pandemia
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Imagem: Nadia Borges
DEBATE

CNA e consultoria internacional debatem desafios para o agro brasileiro com a pandemia

CNA promoveu um debate virtual sobre os efeitos da pandemia para o comércio global de produtos do agro
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu, na quinta (22), um debate virtual sobre os efeitos da pandemia para o comércio global de produtos do agro, as oportunidades e as tendências no atual cenário global e o papel da China no novo mercado mundial e suas consequências para as exportações brasileiras.

O encontro foi realizado com executivos da consultoria internacional Roland Berger, que abordaram vários tópicos relacionados ao comércio internacional e traçaram panoramas para os próximos anos, além de falarem sobre estratégias e desafios para o Brasil como um dos principais fornecedores mundiais de alimentos em um cenário pós-Covid.

Na abertura do encontro, o presidente da CNA, João Martins, afirmou que o novo coronavírus impactou profundamente a economia mundial e alterou a dinâmica do comércio internacional. Na sua avaliação, ficou provado que nenhum país é autossuficiente e a crise da pandemia expôs a interdependência entre as nações. “A preocupação com a saúde e o abastecimento fez com que os países redesenhassem suas políticas, impactando os setores econômicos”, ponderou Martins.

Diante das incertezas surgidas com a pandemia, o presidente da CNA ressaltou que o agro brasileiro mostrou sua resiliência e relevância para a economia do país e para a segurança alimentar mundial, aumentando suas exportações sem comprometer o mercado interno.

“Enquanto vários países adotaram medidas restritivas de comércio, o Brasil manteve e até ampliou suas exportações sem comprometer o mercado interno, que é o mais importante”, destacou. O desafio agora, completou, é “continuar crescendo em um cenário onde os países tendem a se tornar mais protecionistas”.

João Martins falou da importância de diversificar os produtos exportados e lembrou que a CNA, em parceria com a Apex Brasil, criou o projeto Agro BR para aumentar a inserção internacional de produtos do agro brasileiro.

“Pensando em melhorar o entendimento brasileiro sobre o comércio internacional nas importações de produtos brasileiros, em especial a China, aceitamos a proposta da palestra da Roland Berger para identificar e criar oportunidades que diversifiquem e impulsionem as exportações brasileiras, pensando em melhorar a renda dos produtores rurais”.

O diretor-presidente da Roland Berger no Brasil, Antônio Bernardo, falou sobre a atuação da consultoria no mundo todo e que tem o agronegócio como um dos focos principais. Na sua avaliação, o Brasil precisa aumentar sua eficiência operacional no comércio para ampliar sua presença no exterior.

Na opinião do embaixador Mário Vilalva há reflexões que precisam ser feitas para analisar o que será “o novo normal” e saber como será o comportamento da produção, dos fluxos de comércio e dos acordos comerciais, além dos desdobramentos para o Brasil da guerra comercial entre China e Estados Unidos.

“Há questões cruciais para o Brasil. Devemos nos perguntar se o mundo retrocederá ao protecionismo ou se veremos um salto no comércio internacional. A guerra comercial entre china e Estados Unidos será prejudicial ou trará benefícios para o Brasil? O acordo Mercosul e União Europeia vingará ou as questões ambientais serão um entrave? Podemos fazer acordos mais sustentáveis com a Ásia e com o mundo islâmico?”, indagou.

Wilhelm Uffelmann, responsável pela parte de alimentação e agronegócio da consultoria, previu que a crise não afetará o setor agroalimentar no curto prazo. Ele alertou para a onda protecionista, mas, por outro lado, disse que o Brasil pode ganhar mais espaço em mercados como China, EUA e União Europeia.

Jorge Pereira da Costa, que cuida da parte de consumo e agrobusiness, frisou que a Ásia se consolidará como o mercado dominante nas exportações brasileiras do agronegócio. Já Qiang Fu, que atua na Ásia no apoio a investidores, afirmou que o Brasil continuará sendo um parceiro chave para a China e que, nesta década, respondeu por um terço das importações chinesas.

Dentro dos desafios e oportunidades traçados pela Roland Berger para o Brasil no comércio mundial do agronegócio, um dos temas abordados no encontro foi a agregação de valor.

Para o diretor de Relações Internacionais da CNA e presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, o Brasil ainda é muito dependente das exportações de commodities. “Precisamos fazer com que nossas marcas cheguem às gôndolas dos supermercados de países como a China”.

O encontro foi moderado pela superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra, e teve a participação dos presidentes e representantes das Federações estaduais de agricultura e pecuária, das administrações regionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e das entidades do Conselho do Agro. Clique aqui para assistir ao debate.


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