Agronegócio

COAMO II: Pinhão na mesa e no campo

Com a queda das temperaturas, é tradicional o início do consumo do pinhão
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Com a queda das temperaturas, é tradicional o início do consumo do pinhão, principalmente no Sul do país. É nessa época que as araucárias começam a amadurecer as pinhas para a reprodução da espécie. O pinhão é a semente de uma árvore bem brasileira: a Araucária. Tem quem aproveitar o momento para comer a iguaria, que pode ser consumida de várias maneiras, e aqueles que acabam tendo uma renda extra com a comercialização. A temporada do pinhão começa sempre em abril, quando é liberada oficialmente a colheita da semente, e segue até agosto.

Produção  - É na região Centro-Sul do Paraná que está a maior produção de pinhão do Paraná, onde, inclusive, um município leva seu nome. A reportagem da Revista Coamo visitou uma família que tem na propriedade milhares de araucárias e que, neste período, acabam tendo uma renda extra. A cooperada Vanderléia Aparecida Kitcki, da Unidade da Coamo em Pinhão, trabalha em parceria com o pai, ‘seo’ Sebastião e o irmão na extração e comercialização da semente.  

Receita extra- Ela conta que além das atividades agrícolas, com lavoura e pecuária, o pinhão gera uma receita a mais. “É um dinheiro que sempre entra em boa hora. Quando a safra está finalizada”, diz. A colheita das pinhas é realizada em parceria com terceiros, que fazem todo o trabalho de retirada e beneficiamento das sementes.

Alegria - ‘Seo’ Sebastião não sabe quantas árvores tem na propriedade, mas conhece bem sobre elas, já que mora no local há mais de 60 anos e acompanhou todo o desenvolvimento da floresta. “É uma alegria ver todos esses pinheiros. Quando chegamos aqui, muitas dessas árvores ainda eram pequenas e hoje vemos todas grandes, imponentes. Dá gosto ver tudo isso”, conta o agricultor. Segundo ele, não faz muito tempo que a atividade com o pinhão é explorada pela família. “Antes, pouca gente se importava. Não tinha muito mercado. Hoje, é uma grande oportunidade”, destaca.

Consumo próprio - Além da renda extra, a família aproveita o pinhão para consumo próprio durante todo o inverno, seja a semente cozida ou torrada na chapa ou direto no fogo, e ainda serve para fazer outras receitas, como bolos e pudins, que já são feitos pela cooperada. “Sempre testamos algumas receitas como forma de aproveitar melhor essa semente tão apreciada”, observa Vanderléia. Clique aqui para conferir duas receitas feitas pela cooperada

Um pouco mais sobre o pinhão - Esta semente foi a principal fonte de alimentação de algumas tribos indígenas do sul do Brasil. Muitos animais também se alimentam, sendo os responsáveis pela plantação dos pinheirais. A cotia, o esquilo (serelepe) e a gralha azul costumam carregar os pinhões a grandes distâncias e enterrá-los no solo. Passado algum tempo as sementes acabam "esquecidas" e geram novas árvores. A relação da gralha azul com o plantio das araucárias fez dela a ave símbolo do Paraná.

Curitiba - No Estado, as araucárias eram tão abundantes que originaram até o nome da capital do Curitiba. A palavra "curi" vem do tupi e significa pinheiro, já a palavra "tiba" significa muito, abundância. Daí o nome Curitiba ou muitos pinheiros.

Culinária - Apesar de rico em amidos, o que o torna bastante calórico, contém vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo e proteínas. A vitamina B1 ou tiamina vem sendo muito estudada pelos especialistas, pois além de atuar na produção de energia, auxilia na oxigenação do cérebro e o funcionamento do sistema nervoso, podendo ajudar nas funções relacionadas com memória e cognição. O pinhão é uma das melhores fontes de tiamina.

Vantagem - A vantagem do pinhão é que pode ser cozido tanto em água como em calor seco como nas fogueiras ou na brasa. A nível artesanal também pode ser feita a farinha de pinhão que pode ser utilizada em bolos, pães, tortas, etc. Em termos de calorias, tem em média 195 calorias para cada 100g (cozido). A sua utilização é variada, podendo ser usado em saladas, ensopados, tortas e bolos.

Colheita do pinhão - As normas e as instruções para a colheita, transporte e comercialização do fruto são estabelecidas em portarias do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) publicadas a cada ano. O objetivo da regulamentação é garantir o consumo sustentável de forma a garantir a reprodução da araucária, árvore ameaçada de extinção e símbolo do Paraná.

Portaria - A portaria do IAP ainda proíbe, independentemente da data, a comercialização das pinhas verdes, quando o pinhão apresenta a cor esbranquiçada e alto teor de umidade. Nesse estado as pinhas podem conter fungos e ser prejudicial à saúde. O pinhão bom para o consumo deve ser colhido do chão. A cor amarela intensa ou marrom brilhante indicam boa qualidade. Atenção também para o tamanho: não deve ser muito grande.

Colheita - Em 2015 foram colhidas no estado 500 toneladas de pinhão. Este ano, a previsão é de uma colheita ainda maior, de 550 toneladas. O preço, segundo compradores, está quase 30% menor que o praticado no ano passado. 

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