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Conflito amplia cautela no mercado de ureia

Incerteza marca oferta venezuelana de ureia


Foto: Canva

A análise de Renata Cardarelli, especialista em grãos e fertilizantes da Argus, avaliou os impactos do ataque dos Estados Unidos à Venezuela sobre o mercado de fertilizantes, com foco na ureia comercializada na América do Sul.

Segundo a Argus, o ataque não provocou efeito direto nos preços da ureia granulada nos mercados monitorados na região. Ainda assim, permanece a incerteza quanto à disponibilidade de produto venezuelano para cargas futuras e aos valores que poderão ser ofertados. “Persiste a incerteza na região quanto à disponibilidade venezuelana para cargas futuras e aos preços em que serão ofertadas”, aponta a análise.

Dados da Argus indicam que a Venezuela possui capacidade produtiva próxima de 3 milhões de toneladas por ano de ureia, sendo 2,2 milhões de toneladas anuais de ureia granulada e 792 mil toneladas por ano de ureia perolada.

De acordo com participantes de mercado que atuam na Argentina, Bolívia e Brasil, ainda é prematuro estimar os possíveis efeitos do episódio sobre o mercado regional de ureia. Conforme a avaliação, há a possibilidade de que outros produtores da América do Sul elevem seus preços, refletindo o custo do risco associado à compra do produto venezuelano.

A Argus reforça que os preços da ureia granulada não apresentaram alterações imediatas em reação aos ataques dos Estados Unidos à Venezuela e à consequente incerteza política no país.

No Brasil, no entanto, houve elevação de preços em função de fatores específicos do mercado de fertilizantes. O preço diário da Argus para a ureia granulada ficou entre US$ 415 e US$ 425 por tonelada cfr Brasil em 5 de janeiro, alta de US$ 5 por tonelada em relação ao intervalo de US$ 410 a US$ 420 por tonelada registrado em 2 de janeiro, antes do ataque. Segundo a análise, o aumento reflete os desdobramentos do leilão indiano de compra realizado em 5 de janeiro, no qual a Índia recebeu as ofertas mais baixas a US$ 424,80 por tonelada cfr costa oeste e US$ 426,80 por tonelada cfr costa leste, acima dos US$ 418 a US$ 420 por tonelada do leilão anterior, ocorrido em 20 de novembro.

A baixa liquidez segue predominando nos principais mercados da América do Sul. No Brasil, a proximidade do plantio da segunda safra de milho 2025/26 pode gerar demanda pontual em janeiro, mas, segundo a Argus, a maior parte dos importadores permanece afastada do mercado.

Na Argentina, há necessidade de aquisição de fertilizantes nitrogenados para o plantio do trigo, que começa em maio, porém os importadores seguem praticamente ausentes das negociações, enquanto os produtores concentram-se nas atividades de campo.

Já o Paraguai também busca fertilizantes nitrogenados para a safra de soja 2025/26, mas, conforme a análise, o foco principal dos compradores tem sido o sulfato de amônio como fonte de nitrogênio.

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