Consultoria: Tenha cautela com o milho
A paridade de exportação continua abaixo dos preços praticados internamente
A paridade de exportação continua abaixo dos preços praticados internamente - Foto: Nadia Borges
O mercado de milho atravessa um momento de equilíbrio instável, marcado por forças opostas entre oferta, demanda e fluxo financeiro, tanto no cenário internacional quanto no doméstico. Segundo análise da TF Agroeconômica, os prêmios de exportação seguem limitados, refletindo a forte concorrência do milho norte-americano no curto prazo e a expectativa de ampla disponibilidade do cereal brasileiro no segundo semestre.
A paridade de exportação continua abaixo dos preços praticados internamente em diversas regiões do país, o que reduz o apelo imediato das vendas externas. Com isso, o mercado doméstico ainda consegue sustentar cotações em importantes polos consumidores do Sul e do Sudeste, embora já haja resistência por parte da demanda, que demonstra menor disposição para absorver volumes maiores aos preços atuais.
No contexto regional, a Argentina revisou sua produção para baixo, fator que oferece sustentação relativa aos preços FOB do país. Apesar disso, o milho argentino permanece competitivo no mercado internacional, especialmente na segunda metade do ano. Esse cenário limita o espaço para elevação dos prêmios de exportação brasileiros, sobretudo nos portos do Sul, onde a concorrência tende a ser mais direta.
Na Bolsa de Chicago, os contratos de milho para março de 2026 operam de forma lateralizada após a forte queda registrada no segundo semestre de 2025. O mercado encontra suporte técnico na faixa de 4,15 a 4,20 dólares por bushel, enquanto a região entre 4,45 e 4,50 dólares por bushel concentra resistência, com surgimento de vendas técnicas. O volume elevado nos movimentos de baixa indica atuação ativa de fundos na ponta vendedora.
A tendência de curto prazo é neutra a levemente baixista, com maior sensibilidade ao fluxo financeiro do que a novos fundamentos. No médio prazo, a perspectiva permanece sustentada, condicionada à confirmação de perdas produtivas na Argentina e ao ritmo efetivo das exportações dos Estados Unidos. No Brasil, o avanço da safrinha impõe um viés de pressão sazonal sobre os preços, salvo a ocorrência de problemas climáticos mais severos.