Contra crise Bayer lança novos produtos e amplia equipe
A divisão agrícola da multinacional alemã já identificou nichos potenciais para a expansão de seus negócios
A máxima de que toda crise gera oportunidades será levada à risca pela Bayer CropScience em 2009. A divisão agrícola da multinacional alemã já identificou nichos potenciais para a expansão de seus negócios e se prepara para ampliar sua atuação no mercado nacional por meio do lançamento de novos produtos e incremento da sua organização de vendas.
"Eu vejo a Bayer hoje muito melhor estruturada para enfrentar uma crise, com uma equipe capacitada. Estamos trazendo produtos inovadores que vão alavancar os nossos negócios e que farão a diferença", afirma Gerhard Bohne, diretor de operações Brasil da Bayer CropScience.
Sem medo de investir, a companhia que vem mantendo o compromisso de lançar três produtos anualmente terá uma estratégia mais agressiva no próximo ano. Já está confirmado o lançamento de pelo menos quatro defensivos até o final de 2009, entre eles um herbicida com princípio ativo ainda inédito que ajuda a quebrar a resistência de insetos. A empresa, que chegou a travar discussões com a matriz para bancar o desenvolvimento desse produto no País, acredita que a inovação poderá ter um grande impacto no mercado. Entre os outros produtos estão dois inseticidas: um para as lavouras de soja, algodão e tomate e outro para utilização em diversas culturas; e ainda um fungicida para o cultivo de tomate e batata. "Numa crise você tem que continuar investindo. Trazer novas tecnologias para o mercado é importante para continuar se diferenciando".
O diretor de operações da empresa revelou ainda que um dos defensivos será destinado à área de biotecnologia. "A Bayer aposta e está investindo na área de sementes de biotecnologia. Hoje o foco é nas culturas de algodão, arroz e hortículas. Vamos também estar trazendo tecnologia para essas culturas no ano que vem".
Crédito
No próximo ano a Bayer irá ampliar os investimentos nas modalidades de troca. Segundo Bohne, nos anos considerados bons para a agricultura o produtor não gosta de utilizar essa modalidade para financiar a aquisição de insumos porque ele prefere especular com preços melhores. "Em 2008 teve uma queda na parte de trocas, mas no ano que vem o produtor vai querer mais segurança e isso vai intensificar as trocas", avalia.
Devido à complexidade do cenário atual, para intensificar as vendas via troca a equipe de vendas da empresa, além de estar sendo ampliada receberá treinamento específico para realizar essas negociações. Os estados mais visados para realizar esse tipo operação são: Mato Grosso, Goiás, Bahia. "O grande volume de trocas é na Região do Centro-Oeste e na cultura do café", disse. As operações de troca já acontecem com produtores de milho e soja e está sendo introduzida junto aos triticultores.
Bohne afirmou que a companhia estará se expandindo também na Região Sul, mas a prioridade será mesmo o Centro-Oeste. O diretor de operações não dá pistas sobre os aportes e o contingente que a empresa irá direcionar para essa região, mas garante que o número é substancial. "Estamos aumentando nossa estrutura de olho no potencial brasileiro no futuro e o Centro-Oeste é uma das regiões que mais crescem", disse.
O produto recebido pela Bayer nessas negociações é direcionado ao mercado externo e comercializado via trader. "Com a troca você minimiza seu risco porque há a entrega do grão na época da colheita", avaliou. "É mais fácil o produtor pagar em produto que em moeda corrente", completou.
Balanço e perspectiva
A empresa deverá atingir as metas de vendas para esse ano, mas os números do último trimestre deverão refletir os efeitos do agravamento da crise. "Teve agricultor que reduziu área, então cancelaram alguns pedidos, o crédito ficou mais escasso e mais caro. Já podemos observar um esfriamento do mercado", afirmou.
Para o executivo os fundamentos do mercado farão com que a recuperação seja mais rápida para o setor. Além da crescente demanda por alimentos no contrafluxo de estoques historicamente baixos, o câmbio deve estimular o agricultor que exporta, garantindo que o preço das commodities, que hoje estão num patamar considerado baixo, voltem a subir em 2009. "Eu acredito num mercado estável, com leve queda, e nós expandindo", disse.
Em 2009, a Bayer também aposta na retomada do algodão, que na safra atual deverá ter uma redução de área significativa, acima de 20%, e na consolidação do mercado de usinas de cana-de-açúcar. "Isso já vem ocorrendo nos últimos anos e eu diria que agora com a crise esse processo deve se acelerar mais ainda", avaliou.