Controles biológicos melhoram qualidade da maçã em SC
A redução na aplicação de agrotóxicos possibilita a conquista de certificações
Diminuir o uso de agrotóxicos nos pomares de maçã tem sido um desafio constante para os produtores da fruta. Os estudos com entidades de pesquisa sobre a produção integrada, com o controle biológico de pragas, têm surtido efeito nos últimos anos. Na empresa Renar, de Fraiburgo (SC), que tem 930 hectares de pomar, o uso de agrotóxicos já reduziu pelo menos pela metade com as novas técnicas.
Conforme o diretor de produção Ricardo Cecchini, com a diminuição do uso desses produtos tóxicos há pelo menos sete anos, a empresa já conseguiu certificações internacionais, possibilitando a exportação aos principais mercados do mundo. O trabalho iniciou a partir do ácaro fitófago, um dos mais nocivos aos pomares.
A estratégia foi trazer um outro ácaro (Neuseilus californicus), "primo" do fitófago, predador natural do ácaro nocivo. O predador é peruano e é criado em estufas. Para a alimentação do ácaro predador, nas estufas também são criados os ácaros fitófagos, em mudas de feijão.
Nas estufas, os ácaros recebem sub-doses de produtos usados nos pomares para o combate a outras pragas. Essa foi a forma encontrada para que as futuras gerações criem resistência aos produtos, quando for necessário o uso. Depois, o ácaro é disseminado nos locais problemáticos do pomar. O controle é feito por monitoramento, em amostragens. Com a técnica, a empresa não utiliza mais acaricidas há sete anos.
Os índices de grafolita e lagarta enroladeira, outras duas pragas bastante nocivas, praticamente zeraram nos últimos dois anos. O método de erradicação das pragas é com o uso de feromônios sexuais, substância que imita o cheiro da fêmea no momento da cópula.
As pastas de feromônio distribuídas nos galhos das macieiras soltam o cheiro, criando uma confusão entre o feromônio sintético e o natural. Os insetos vagam acima das macieiras e não copulam. As armadilhas de monitoramento constatam a eficiência do método - menos insetos nas armadilhas representam o funcionamento mais efetivo da técnica.
Embora o custo desse método seja alto - R$ 240 hectare/ano somente de produto - o gerente técnico de pomares, Luiz Fernando Boeing, garante que a relação custo-benefício é melhor do que o uso de agrotóxicos.
A expectativa agora se volta para os estudos do feromônio da mosca das frutas, uma das pragas de mais difícil controle na fruticultura. Segundo Cecchini, a partir do feromônio da mosca será possível fazer o controle dessa praga sem uso de agrotóxicos em dois anos.