Cotações da soja despencaram nesta semana
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Imagem: Divulgação
ANÁLISE DE MERCADO

Cotações da soja despencaram nesta semana

O primeiro mês cotado veio a US$ 15,93/bushel, no fechamento desta quinta-feira (23), contra US$ 17,09 uma semana antes
Por: -Aline Merladete

As cotações da soja despencaram nesta semana. O primeiro mês cotado veio a US$ 15,93/bushel, no fechamento desta quinta-feira (23), contra US$ 17,09 uma semana antes. Nos últimos nove dias úteis o bushel perdeu US$ 1,76 naquela Bolsa. Diversos motivos fizeram o mercado reverter, por enquanto, a tendência altista. Dentre eles, os principais são o novo aumento na taxa básica de juro nos EUA (o maior ciclo de aperto monetário neste país desde 1994/95), fato que faz parte dos operadores, especialmente os especuladores, a buscarem os títulos do governo estadunidense ao invés das commodities; e a forte queda no valor do óleo de soja em Chicago, puxado pelo recuo importante no valor do petróleo no mercado mundial, além da decisão da Malásia em liberar a exportação de óleo de palma.

Na prática, a semana, que teve um feriado nos EUA na segunda-feira (20), iniciou com o mercado atento ao clima nos EUA. Há calor e pouca chuva nas regões produtoras, porém, o plantio e as condições das lavouras estão dentro da normalidade. Até o dia 19/06 o plantio da nova safra, naquele país, atingia a 94% da área esperada, contra 93% na média histórica. Lembrando que no dia 30/06 teremos o relatório de plantiodefinitivo naquele país. Já as condições das lavouras apresentavam 83% germinadas, apenas 6% entre ruins a muito ruins, 26% regulares e 68% entre boas a excelentes.

Também preocupa a redução da liquidez geral, com a economia avançando pouco no mundo; novos lockdowns na China devido ao coronavírus; e a continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia. Pelo lado dos óleos, houve forte queda nas cotações na Malásia, Índia e China, com o óleo de palma perdendo quase 10% em um dia, sendo que o recuo acumulado, e relação ao pico ocorrido no ano passado, já é de 40%. Ajudou para isso também os temores de menor crescimento global impactando no consumo e alimentando a aversão ao risco, junto com um notícia de um plano, trazido pelo presidente estadunidense Joe Biden, para reduzir os custos de combustíveis para os motoristas.

Neste contexto, o óleo de soja, em Chicago, recuou para o seu mais baixo nível desde o dia 18 de fevereiro, batendo em 67,71 centavos de dólar por libra-peso. O contrato, para o primeiro mês cotado, perdeu 18,4% de seu valor em apenas 10 dias úteis. Também aqui os Fundos especulativos vendem seus contratos, buscando ativos mais seguros, caso dos títulos do governo dos EUA, agora mais atrativos diante da alta dos juros locais. Fundos especializados em papeis de dívida de alto risco continuam reportando retiradas, pois a inflação não para nos EUA, como aliás também em grande parte do mundo, incluindo o Brasil. Com isso, há um movimento sincronizado dos Fundos em se retirar das commodities, como um momento ou outro deveria ocorrer,atingindo não só a soja, como também o trigo, cobre, zinco, alumínio, minério de ferro, carvão etc.

Para completar o quadro, a China informou que seus estoques de farelo de soja triplicaram nos últimos três meses, pois grandes volumes de soja chegaram ao país, num momento de demanda interna fraca. Assim, os estoques semanais de farelo de soja da China subiram 14% no final da semana passada, em relação à semana anterior, para 1,09 milhão de toneladas. Os suinocultores chineses, maiores produtores de carne suína do mundo, têm registrado prejuízos desde meados de 2021, com grandes perdas nos primeiros cinco meses deste ano. Alguns começaram a ganhar alguma margem neste mês de junho, mas seus lucros ainda não são suficientes para estimular uma forte demanda de farelo. Neste contexto, o mercado teme que, se não caírem rapidamente, os altos estoques de farelo de soja podem reduzir ainda mais a demanda do maior importador de soja do mundo pela oleaginosa.

No final de maio a produção de ração industrial na China ainda estava 11,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Neste momento, os trituradores de Rizhao, na província de Shandong, principal centro de processamento no norte da China, ainda perdem 51,75 dólares por tonelada de soja esmagada, ao câmbio de hoje. Enfim, na semana encerrada em 16/06, os EUA embarcaram 427.344 toneladas de soja, ficando dentro das expectativas do mercado. Em todo o atual ano comercial o país embarcou 50,9 milhões de toneladas de soja, contra mais de 57 milhões no mesmo período do ano passado. O USDA estima que as exportações de 2021/22, da oleaginosa, pelos EUA, cheguem a 59,06 milhões de toneladas.

E no Brasil os preços se mantiveram estáveis, com viés de baixa devido ao forte recuo em Chicago, mesmo com o câmbio se aproximando dos R$ 5,20 por dólar no final da semana. Com isso, a média gaúcha no balcão fechou em R$ 184,92/saco, porém, as principais praças gaúchas trabalharam com R$ 180,00. Já no restante do país os preços oscilaram entre R$ 166,00 e R$ 175,00/saco. Quanto aos derivados, a demanda de avicultores e suinocultores, por farelo de soja, está mais aquecida nas últimas semanas, cenário que ajuda a manter os preços nestes níveis. Já no caso do óleo, os valores caíram, pressionados pela menor demanda para a produção de biodiesel no Brasil.

Por outro lado, as importações de soja brasileira, pela China, recuaram em maio, enquanto a soja trazida dos Estados Unidos teve alta acentuada de volume. O maior comprador de soja do mundo importou 7,79 milhões de toneladas da oleaginosa do Brasil em maio, contra 9,23 milhões de toneladas um ano antes. Já as cargas trazidas dos Estados Unidos, em maio, chegaram a 1,73 milhão de toneladasa, ou seja, bem acima das 244.431 toneladas do ano anterior (cf. Alfândega da China). Mesmo assim, no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a China trouxe 20,47 milhões de toneladas de soja brasileira, ante 15,66 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. Enquanto isso, as importações da oleaginosa estadunidense alcançaram 16,77 milhões de toneladas no período, contra 21,51 milhões de toneladas no ano anterior. Na China, a demanda por farelo de soja, no setor de rações, está sob pressão, pois o setor agrícola tem lutado para obter lucros, embora as margens dos produtores de suínos tenham melhorado nos últimos dois meses naquele país.

Segundo traders internacionais, diante da expectativa de elevação dos preços dos suínos, a demanda por farelo de soja pode aumentar e levar as margens de moagem para território positivo em alguns meses, após trituradores trabalharem com seus grandes estoques de farelo de soja. Por outro lado, segundo a Anec, a exportação de farelo de soja do Brasil deve ser maior do que o esperado em junho, podendo alcançar 2,27 milhões de toneladas. Até a
semana passada, a Anec previa embarques de 2,19 milhões de toneladas. Se confirmada a nova previsão, a exportação deve crescer mais de 400 mil toneladas ante o mesmo mês de 2021. Já a exportação de soja foi revisada para 10,8 milhões de toneladas, contra 10,84 milhões na semana anterior e 10,13 milhões em junho de 2021.

As informações são da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA


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