Cotações do trigo oscilam durante a semana

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Cotações do trigo oscilam durante a semana

Mercado esperava um volume menor, entre 400.000 e 650.000 toneladas
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As cotações do trigo em Chicago oscilaram bastante durante esta semana, porém, fecharam em forte alta, com o primeiro mês encerrando a quinta-feira (13) em US$ 5,27/bushel, após US$ 5,05 uma semana antes.

No início da semana, sinais de recuo na demanda pelo trigo estadunidense, assim como aversão ao risco por parte dos operadores na Bolsa e a valorização do dólar perante as principais moedas do mundo, tiraram força do mercado.

Entretanto, a expectativa positiva em relação ao acordo comercial entre EUA e China, associado ao bom resultado das exportações estadunidenses, contrariando o sentimento inicial, acabaram revertendo o quadro baixista. 

No caso das exportações, as vendas líquidas de trigo estadunidense, para o ano 2018/19, na semana encerrada em 29/11, atingiram a 711.800 toneladas, com o volume ficando 58% acima da média das quatro semanas anteriores. O mercado esperava um volume menor, entre 400.000 e 650.000 toneladas.

Por sua vez, o relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado no dia 11/12, trouxe poucas novidades. O mesmo apontou uma pequena elevação nos estoques finais dos EUA para 2018/19, chegando a 26,5 milhões de toneladas, mesmo com a produção total estadunidense permanecendo em 51,3 milhões de toneladas. Em paralelo, a produção mundial foi mantida em 733,4 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais mundiais subiram para 268,1 milhões. A produção brasileira e argentina foi mantida em 4,8 e 19,5 milhões de toneladas respectivamente, sendo que a Argentina deverá exportar 14,2 milhões e o Brasil importar 7,5 milhões de toneladas.

Enfim, no final da semana o mercado encontrou nova sustentação com as notícias procedentes da Austrália. O departamento de agricultura deste país anunciou que a produção de trigo local ficará em apenas 16,95 milhões de toneladas em 2018/19, se consolidando como a menor safra desde 2007/08. A atual safra foi reduzida em 20,2% em relação ao colhido no ano anterior devido a problemas climáticos. Com isso, as exportações de trigo por parte da Austrália deverão recuar 31,5% neste atual ano comercial, ficando em 10,6 milhões de toneladas.

Já no Mercosul, a tonelada FOB para exportação oscilou entre US$ 220,00 e US$ 225,00, se fortalecendo mais um pouco. Para a safra nova o valor ficou igualmente em US$ 220,00. 

No Brasil, os preços subiram em algumas praças. O balcão gaúcho fechou a semana em R$ 39,50/saco, ganhando 52 centavos sobre a média da semana anterior. Enquanto isso os lotes conservaram os R$ 45,00/saco. No Paraná, o balcão registrou valores entre R$ 44,50 e R$ 46,50/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 51,00 e R$ 54,00/saco. Em Santa Catarina, o balcão oscilou entre R$ 42,00 e R$ 43,00/saco, enquanto os lotes, na região de Campos Novos, ficaram em R$ 49,50/saco.

Com a colheita concluída no Rio Grande do Sul, constata-se que a produtividade média ficou ainda mais abaixo do que as últimas estimativas, enquanto a qualidade ficou apenas regular, com o PH abaixo de 78. Com isso, o viés de alta para o trigo de qualidade superior se mantém para as próximas semanas, já que a oferta do mesmo, no país todo, é escassa. 

Neste contexto, as importações de trigo pelo Brasil continuam com projeção de alta. Segundo a SECEX, em novembro o país importou 494.028 toneladas, sendo que 75,5% vieram da Argentina. Desde agosto, quando se iniciou o atual ano comercial 2018/19, o Brasil já importou 2,2 milhões de toneladas, sendo 84% procedentes da Argentina, 7,8% do Paraguai, 3,9% dos EUA e 2,8% do Canadá. No mesmo período do ano anterior o país havia importado 2,0 milhões de toneladas, com 88% oriundas da Argentina.

O volume somente não é maior agora porque os moinhos nacionais se encontram bem abastecidos pelos próximos 60 dias. Assim, espera-se um maior aquecimento das cotações a partir de meados de fevereiro, quando as compras destas empresas retornarem com mais força. Já se cogita que faltará trigo de qualidade superior no país, forçando importações maiores.

Diante de tal quadro, o câmbio ganha importância maior, pois uma desvalorização do Real, como vem ocorrendo atualmente, torna mais caras as importações do cereal, ajudando a elevar o preço do produto nacional. Vale ainda não esquecer que o preço da tonelada do cereal na Argentina igualmente vem subindo nas últimas semanas.

Enfim, o trigo de baixa qualidade, novamente majoritário nesta safra, deverá ser escoado para as indústrias de ração no país e/ou exportado para países asiáticos e africanos.

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