Crambe é opção de cultivo de inverno
O crambe (Crambe abssynica Hoechst) é uma planta crucífera de inverno, altamente resistente à seca e à geada
As empresas Rural Biodiesel, de Eldorado (Mato Grosso do Sul) e Biopetro (Londrina) estão incentivando os agricultores do Paraná a cultivar o crambe (Crambe abssynica Hoechst), uma planta crucífera de inverno, altamente resistente à seca e à geada.
Segundo o diretor da Rural Biodiesel, Maurício Moller, o crambe surge como nova opção para o cultivo de inverno. "Esta planta é indicada para rotação de culturas. Outra vantagem do crambe é o ciclo curto, que varia de 85 a 90 dias. A maturação da lavoura é uniforme", ele detalha.
Aquelas duas empresas possuem hoje 6,5 toneladas de sementes. O objetivo delas é multiplicar esse estoque até 2009 e, a partir daí, atingir a produção em escala industrial para a extração do óleo de crambe e produção de biodiesel - é necessário o cultivo de 40 mil hectares para instalar a unidade esmagadora do grão.
A produção, segundo Moller, tem mercado garantido, com preço estimado em R$ 400 por tonelada. A média de produtividade do crambe em um alqueire é de 3,6 mil quilos - cerca de 60 sacas de 60 quilos. "Na terra roxa do Norte paranaense, acreditamos na produção de 4,8 mil quilos por alqueire", calcula o diretor da Rural Biodiesel.
O custo de produção engloba semente (36 quilos por alqueire), dessecação, plantio, colheita e transporte - totalizando R$ 650 por alqueire. O manejo é feito com as mesmas máquinas utilizadas nas culturas de soja e trigo. A cultura não apresenta risco de infestação (como ervas daninhas) para as culturas de verão, soja e milho. "A vantagem do crambe é que ele não compete com a soja, pois é indicado para inverno. Também não existe o perigo de frustração de safra, pois é uma planta rústica. Nesse primeiro momento não vamos cobrar a semente. Estamos fazendo parceria com os produtores interessados", comenta Moller.
Por vários anos, o crambe foi utilizado para cobertura do solo. O fato de o grão apresentar de 25% a 38% de óleo despertou o interesse em produzir biodiesel. A planta é bastante rústica, e apresenta semelhança ao nabo forrageiro e à aveia preta.
O plantio da cultura vai de abril a maio. "Em testes feitos com extração através de esmagamento por prensas, chegou-se a extrair 25 litros de óleo em 100 quilos de grãos, cerca de 250 litros de óleo por tonelada", revela Moller.
Originário de regiões banhadas pelo Mar Mediterrâneo, o crambe foi plantado pela primeira vez no Brasil no Mato Grosso do Sul. As primeiras sementes foram importadas em 1995.
- Saiba mais
Mais informações sobre a cultura do crambe podem ser obtidas pelo fone (67) 3472-1214.