As 12 startups campeãs, selecionadas entre 36 finalistas, receberão juntas R$ 720 mil em recursos para acelerar o desenvolvimento dos negócios e levar soluções inovadoras ao agronegócio
As vencedoras da final da 10ª edição do Desafio AgroStartup foram anunciadas na última quinta-feira (29), no espaço do Senar Goiás durante a FICCA 2026 (Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio de Goiás), no Centro de Convenções de Goiânia. Com o uso da tecnologia e da inteligência artificial, os projetos buscam facilitar a rotina dos produtores rurais, aumentar a produtividade, prevenir perdas e promover mais saúde e segurança para pessoas e animais.
A BioVito desenvolveu uma tecnologia para produzir sementes de alho livres de possíveis doenças, contribuindo para melhorar a qualidade do plantio e reduzir perdas na produção. Já a BioHealtVet criou curativos veterinários inteligentes, feitos sob medida com auxílio da inteligência artificial, que liberam medicamentos na quantidade adequada para acelerar a recuperação dos animais.
A Agri Guardian IA utiliza inteligência artificial para monitorar os animais e identificar situações de risco. Na criação de porcos, por exemplo, a tecnologia ajuda a evitar que a mãe esmague os filhotes acidentalmente. A Simo desenvolveu uma braçadeira inteligente que acompanha a temperatura corporal e o esforço físico do trabalhador rural em tempo real. O equipamento emite alertas quando identifica riscos de mal-estar.
Com foco na saúde infantil no meio rural, a Hamobaby criou uma plataforma que conecta famílias a pediatras e reúne informações sobre consultas, vacinas e histórico de saúde das crianças, facilitando o acompanhamento médico. Também voltada ao cuidado com os trabalhadores, a HealthFlowAGRO desenvolveu um aplicativo que monitora as condições do ambiente de trabalho e ajuda a identificar situações que podem oferecer riscos à saúde.
Na pecuária leiteira, a Via Leite Sense criou uma plataforma para acompanhar as variações e a qualidade do leite, permitindo ao produtor identificar possíveis alterações na produção. A Bovitech Cerrado desenvolveu um repelente natural para bovinos, formulado com óleos essenciais e compostos de plantas nativas do Cerrado. De fácil aplicação, o produto busca afastar insetos sem provocar estresse nos animais.
Para a avicultura, a Terra Tech criou um sistema que monitora a temperatura das granjas e alerta os produtores quando o frio ou o calor excessivos podem colocar em risco a saúde e a vida das aves. Já a Rover Care desenvolveu uma plataforma móvel e modular que permite acompanhar as lavouras por meio de imagens e da coleta de dados, ajudando o produtor a monitorar as condições da plantação.
A Euro Selo apresentou uma plataforma digital que permite avaliar se a carne brasileira atende às exigências legais e regulatórias necessárias para a exportação. Por fim, a Agro Vigia desenvolveu uma ferramenta para auxiliar na gestão do rebanho, utilizando informações sobre a localização e o comportamento dos animais. O sistema envia alertas em tempo real para facilitar o acompanhamento e a identificação de possíveis problemas.
Realizada pelo Senar Goiás e pelo Sebrae, a iniciativa completou dez anos e possibilitou que cada equipe vencedora recebesse R$ 60 mil para desenvolver soluções inovadoras voltadas ao agro, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg). Ao todo, foram destinados R$ 720 mil em recursos de subvenção econômica para transformar ideias em negócios.
Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae Goiás, José Mário Schreiner, esta edição foi especial e representou um marco na trajetória do programa. Ele destacou a quantidade de ideias desenvolvidas ao longo dos anos e a capacidade de inovação dos participantes. “Um dos maiores impactos do programa é a oportunidade de apresentar aos jovens que estão dentro das universidades os desafios que temos no nosso setor, seja em uma pequena, média ou grande propriedade”, afirmou.
O superintendente do Senar Goiás, Dirceu Borges, destacou que as ideias passam por um processo de aprimoramento desde a inscrição das equipes, com mentorias e acompanhamento. Segundo ele, os projetos chegam à final com potencial de mercado e já contam, em muitos casos, com a avaliação de produtores e empresários rurais. “Nosso objetivo é incentivar essas ideias e aproximar cada vez mais a tecnologia das necessidades de quem vive e trabalha no agro”, afirmou.
O diretor de Tecnologia do Senar Goiás, Pedro Camilo, destacou o número expressivo de participantes nesta edição. “Este ano, o Desafio AgroStartup superou ainda mais as expectativas. Conseguimos chegar a um número recorde de instituições de ensino, com mais de 70 participantes, e tivemos mais de 300 equipes trabalhando no desenvolvimento de novas soluções. Dessas, 36 foram para a final e 12 foram vencedoras”, afirmou.
Para o superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, a iniciativa promoveu a inovação, a produtividade e o bem-estar no campo de forma ampla. "O tema desta edição, com foco na saúde, estimulou o desenvolvimento de tecnologias voltadas à melhoria da qualidade de vida e à prevenção, contemplando pessoas, animais e plantas. O empreendedorismo é promissor", reafirmou.
O presidente da Fapeg, Marcos Ariel, orienta que as equipes selecionadas deverão formalizar suas empresas para receber o recurso e participar de uma etapa de aceleração. Após a contratação, as startups terão 12 meses para desenvolver as soluções e trabalhar na evolução dos negócios. “Estamos transformando ideias em negócios. As empresas que nascerem a partir desse desafio receberão recursos para desenvolver suas soluções, além de capacitação para lidar com a gestão, o fluxo de caixa e outras necessidades de uma empresa”, conclui.
O analista técnico do Sebrae Goiás, Arthur Rezende, que atua com projetos de inovação em âmbito estadual, explicou que as equipes participam de uma jornada de formação empreendedora, que prepara os jovens para transformar ideias em negócios. “O jovem da universidade passa por uma trilha empreendedora e, ao final, está mais preparado para desenvolver uma empresa. Depois, o Sebrae pode apoiar esse negócio com outros produtos e soluções voltados aos micros e pequenos empreendedores”, explicou.
A próxima edição do Desafio AgroStartup será lançada no início de 2027. Após a divulgação do edital, serão realizadas ações nas universidades, atividades para o desenvolvimento das ideias, maratonas de inovação, pré-aceleração e capacitação empreendedora.