O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de São Paulo está estimado em R$ 170,4 bilhões em 2026, conforme levantamento do Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP). A projeção aponta para uma queda de 3,6% em relação aos R$ 176,8 bilhões registrados em 2025, influenciada principalmente pela redução dos preços recebidos pelos produtores em importantes cadeias do agronegócio paulista.
Os dados fazem parte da segunda edição do relatório trimestral da FAESP, que acompanha a evolução econômica e o faturamento bruto dos principais segmentos agropecuários do estado. Entre os setores com maior pressão sobre o indicador estão cana-de-açúcar, café, laranja, soja, milho, frango, leite e ovos.
Apesar da retração projetada no resultado geral, algumas atividades apresentam crescimento expressivo, como a pecuária, as hortaliças e os produtos florestais. Na direção oposta, o segmento de frutas registra a maior queda entre os grupos analisados.
A pecuária paulista deve alcançar R$ 56,2 bilhões, com crescimento de 4,8% em relação a 2025. O resultado é impulsionado principalmente pela bovinocultura de corte, favorecida pelo aumento do volume de abates e pela valorização da arroba do boi gordo.
O faturamento bruto dos bovinos está estimado em R$ 32 bilhões, alta de 16,9% na comparação anual. Com esse resultado, a atividade representa 18,8% do VBP estadual e ocupa a segunda posição entre as cadeias de maior faturamento agropecuário de São Paulo.
Outras atividades pecuárias também apresentaram resultados positivos. A tilápia registrou crescimento de 18,9%, enquanto o mel avançou 8,9%. Em contrapartida, houve recuos nas cadeias de frango e leite, ambas com queda de 5,6%, além de ovos (-11,2%) e suínos (-22,8%).
Frutas e cana-de-açúcar pressionam o faturamento
O segmento de frutas apresentou a maior retração entre os grupos avaliados, com queda de 33,2% e faturamento estimado em R$ 19,2 bilhões. Segundo dados divulgados pela FAESP, o resultado está associado principalmente à desvalorização dos preços de comercialização de produtos tradicionais, como banana, goiaba, laranja e manga.
A cana-de-açúcar permanece como a principal atividade agropecuária paulista, com VBP estimado em R$ 49,2 bilhões. O setor concentra 28,9% do faturamento bruto de toda a agropecuária estadual.
Apesar da liderança, o complexo sucroenergético deve registrar redução de 5,9% no faturamento anual em relação a 2025, refletindo a retração das cotações.
Hortaliças e produtos florestais registram alta
Entre os destaques positivos, o grupo de hortaliças apresentou crescimento de 39,5%, alcançando R$ 6,4 bilhões. Os principais avanços nominais ocorreram na cebola, com alta de 127,9%, e na batata-doce, com aumento de 57,2%. Segundo dados divulgados pela FAESP, os resultados foram impulsionados por elevações expressivas nos preços.
Os produtos florestais também contribuíram para sustentar o faturamento agropecuário paulista. O segmento cresceu 13,7%, totalizando R$ 7,1 bilhões.
O eucalipto se destacou tanto na produção de madeira em tora, que avançou 14,6% e atingiu R$ 4,8 bilhões, quanto na produção de lenha, com alta de 30,9%. Nesse último caso, o resultado foi favorecido pela manutenção de preços firmes e pelo aumento de 20% no volume produzido.
Grãos mantêm faturamento acima de R$ 21 bilhões
O grupo de grãos deve alcançar R$ 21,4 bilhões em 2026, crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior. Entre as culturas com melhor desempenho estão o feijão, com alta de 45,8%, e o amendoim, que avançou 13,1%.
A soja e o milho também mantiveram faturamentos próximos aos registrados em 2025, com variações positivas, embora mais moderadas. A receita bruta da soja está estimada em R$ 10,9 bilhões, alta de 0,7%, enquanto o milho deve alcançar R$ 5,3 bilhões, avanço de 0,3%.
O conjunto dos resultados mostra um cenário de desempenho desigual entre as atividades agropecuárias paulistas. Enquanto a queda dos preços pressiona o faturamento de cadeias tradicionais, o avanço da pecuária, das hortaliças e dos produtos florestais contribui para compensar parte das perdas projetadas para 2026.
Ranking das 10 maiores atividades do VBP paulista em 2026:
- Cana-de-açúcar: R$ 49,16 bilhões (28,9%)
- Bovinos: R$ 32,02 bilhões (18,8%)
- Café: R$ 10,99 bilhões (6,4%)
- Soja: R$ 10,90 bilhões (6,4%)
- Laranja: R$ 9,99 bilhões (5,9%)
- Frango: R$ 9,62 bilhões (5,6%)
- Leite: R$ 6,30 bilhões (3,7%)
- Ovos: R$ 5,80 bilhões (3,4%)
- Milho: R$ 5,29 bilhões (3,1%)
- Eucalipto (madeira em tora): R$ 4,78 bilhões (2,8%)