Desafio do agro é comunicar

CONGRESSO BRASILEIRO DO AGRO

Desafio do agro é comunicar

Ministra Tereza Cristina rebateu críticas à liberação de defensivos
Por: -Eliza Maliszewski
2504 acessos

O agronegócio brasileiro é um dos mais importantes segmentos da economia brasileira e um dos mais estratégicos também.  Na  comparação da safra de grãos de 1976/1977 com a de 2017/2018 a área cultivada cresceu 65,4%; a produtividade teve alta de 193% e a produção foi 385% maior. Nesse período o agro passou a responder por 40% do valor total das exportações brasileiras. Por isso, cada vez mais, os desafios para o produtor são grandes: tecnologias, máquinas eficientes, manejo, controle de pragas e doenças, sementes de alto desempenho, agricultura de precisão, sustentabilidade na produção com adoção de práticas como irrigação e plantio direto, biotecnologias e produtos biológicos. Planejamento rigoroso dentro da porteira e que vem exigindo mostrar para o público urbano uma produção eficiente e estatísticas que derrubem os preconceitos com o campo.

Essa tarefa de comunicar o que o campo faz, como faz, de que forma faz, como preserva e como entrega sanidade foi o que permeou os debates do Congresso Brasileiro do Agronegócio , que aconteceu no dia 5 de agosto, em São Paulo, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e pela  B3 – Brasil, Bolsa, Balcão. O evento reuniu 900 participantes e cerca de 4 mil acompanhando via internet. Com o tema Agro: Momento Decisivo o presidente da Abag, Marcello Brito, citou outro desafio: vencer as desigualdades econômicas com uma nova realidade econômica incluindo como necessidade a Reforma da Previdência para alavancar todos os setores. O modelo inclui “um Estado eficiente, liberal e produção eficiente”. Para Brito “temos o melhor agro do mundo. O momento é decisivo para a mudança de postura. Temos que aprender a trabalhar sem subsídios”, aponta.

Comunicar o agro

Um levantamento apontou os assuntos mais tratados em relação ao agronegócio, hoje, no Brasil: desmatamento (43%), liberação de novos defensivos agrícolas (35%), acordo Mercosul e UE (12%) e ameaças a povos indígenas (10%). Um outro levantamento diz respeito a comunicação. A disseminação de conteúdos fake preocupa. 69 mil perfis, de 23 países, falando de 35 assuntos, foram observados somente no Twitter. Deste total 103 mil postagens negativas relacionadas ao agro impactaram 144 mil pessoas. A situação é ainda mais grave quando se leva em conta que muitos leem as notícias pela metade ou somente o título delas e nem questionam a fonte.

O deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, Alceu Moreira (MDB/RS), defende que é fundamental que o Brasil tire a visão que tem perante ao mercado internacional de “vira-lata” e ofereça condições para uma competição igual com os outros países produtores no que chamou de uma "política agroindustrial ambiental". “O mercado internacional é cliente e competidor. A legislação ambiental, trabalhista, sanitária e a demarcação de terras quilombolas e indígenas são obstáculos ao crescimento da agricultura no Brasil”, polemizou. Sobre a comunicação Moreira disse que é preciso “contar ao consumidor quem somos nós e o que produzimos. O caminho da lavoura é comunicação e imagem”, discursou.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina, também esteve presente na abertura e criticou as notícias que falam que o alimento brasileiro é inseguro qualificando como “inverdade” e que para isso é preciso “ganhar a guerra da comunicação”. A ministra também falou dos registros de defensivos que têm tido maior agilidade neste governo. “Sou mãe, avó e tenho a convicção de que fazemos o melhor para o país. A fila de registros andar rápido é tecnologia e não insegurança. 1,2 bilhões de pessoas têm algo no seu prato que veio do agro brasileiro”, defendeu.

O mercado chinês

A palestra de abertura foi sobre um mercado que muitos países estão de olho: a China. Com o tema “O Mercado Chinês e a Produção Sustentável do Brasil”, o chairman da Cofco Internacional, Jingtao (Johny) Chi, destacou a relação entre os dois mercados o que qualificou como elevação comercial a um novo patamar. A trading chinesa pretende aumentar em 5% ao ano, nos próximos 5 anos, a importação de soja brasileira. Ele também destacou que os chineses estão consumindo cada vez mais proteína animal e com a PSA surge um bom mercado para os produtos brasileiros. “Trabalhar com agro exige trabalhar com toda a cadeia: armazenamento, beneficiamento e transporte”, desafiou.

O Congresso Brasileiro do Agronegócio ainda contou com painéis sobre o Custo Brasil, mecanismos financeiros e os pilares para o futuro com destaque para a sustentabilidade, que pode unir preservação e produtividade no mesmo caminho. 
 


Atenção: Para comentar esse conteúdo é necessário ser cadastrado, faça seu cadastro gratuíto.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink