Dia do café: conheça a história do grão que virou paixão
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Imagem: Arquivo
CAFEICULTURA

Dia do café: conheça a história do grão que virou paixão

Da origem africana ao plantio árabe até a liderança brasileira
Por: -Eliza Maliszewski

O café não é brasileiro embora tenha encontrado aqui o seu berço mundial. Foram 61,62 milhões de sacas de 60kg em 2020, volume 25% maior que 2019. Somente em março foram exportadas 3,4 milhões de sacas de arábica e conilon. Bebidas diferenciadas conforme sua região, orgânicas, amazônicas, mineiras, capixabas, paulistas, paranaenses, com tecnologia, com histórias de trabalho de famílias inteiras, o café brasileiro alcança apreciadores no mundo todo.

Mas é preciso voltar um pouco para entender a origem. Alguns registros afirmam que o consumo de café começou por volta de 575 d.C. A descoberta teria sido feita na Etiópia. Os moradores locais consumiam a polpa com banha. Com os frutos também faziam suco, que fermentado se transformava em bebida alcoólica. Suas folhas também eram mastigadas ou utilizadas no preparo de chá.

São várias as lendas que contam sobre os primeiros passos do café. Uma delas conta que foi um pastor etíope, denominado Kaldi, quem percebeu que havia algo diferente nas plantas da região. Ele havia alimentado suas cabras com arbustos e folhagens e notou que os animais ficaram mais animados e com energia, a medida em que mastigavam os frutos. Intrigado com o comportamento de suas cabras, ele levou uma amostra da planta para um monge. O religioso, inicialmente, não aprovou e a denominou como “o trabalho do diabo”. A segunda chance foi dada depois que as plantas foram jogadas na fogueira e os monges sentiram o aroma dos grãos torrados.

Já uma outra versão dessa história do café, conta que quando Kaldi levou as sementes ao monge, o religioso, logo demonstrou curiosidade e decidiu preparar uma infusão com as plantas e frutos. Assim que consumiu o preparo, ele comprovou que as plantas causavam uma certa agitação. Considerando os efeitos positivos, o monge passou a consumir o preparo dos frutos avermelhados nas noites de reza.

Embora a planta tenha origem africana, foi no Iêmen, região oeste da Arábia, que ela começou a ser cultivada. O nome café tem origem árabe. Lá a planta era conhecida como Kaweh e a bebida foi denominada como Kahwah ou Cahue, que significa Força.
A produção comercial do café também ficou restrita ao Iêmen por um bom tempo. O produto já demonstrava o potencial econômico, em meio ao desenvolvimento da política mercantilista.  As características estimulantes e a possibilidade de apresentar novas drogas, que fossem também consideradas mercadorias competitivas, despontava como uma oportunidade.

Na época, a bebida era consumida principalmente por monges em rituais religiosos pois, os auxiliavam durante as noites de reza e vigília noturna. Afinal, era um produto que estava de acordo com os princípios do Alcorão, que condenava o consumo de bebidas alcoólicas.

Conhecida também como, vinho da arábia, o café ganhou escala comercial no séc. XIV, na região de Moka, principal porto do Iêmen,  que foi responsável por um dos maiores cultivos do produto no mundo árabe. E o seu porto, o maior exportador.
Foram os holandeses, os responsáveis por criar a história do café no mundo. Ao que parece, foram eles os responsáveis transportar as amostras da planta pelo mundo, já que no séc. XVI, eles tinham o controle do comércio europeu e os melhores navios.

A origem do café no Brasil encontra-se no século XVIII. As primeiras mudas de café foram plantadas ainda pelos idos de 1720, na província do Pará. A pessoa que teria trazido as primeiras sementes do café para o Brasil foi Francisco de Melo Palheta, após viagem à Guiana Francesa.

De início foram plantações locais até alcançar o status de ouro negro que deu um novo fôlego econômico para Portugal, abatido com a queda de ouro e do açúcar. Foi somente no século XIX, na região do Vale do Rio Paraíba, que as plantações de café no Brasil ganharam maior representatividade.

A bebida que temos hoje resultou de um ciclo de mais de 100 anos no país, chamado de ciclo do café, sendo a principal atividade econômica entre os anos de 1800 e 1930. Os estados que mais se destacaram nessa produção, foram São Paulo e Rio de Janeiro. Usavam a dor da mão-de-obra escrava para se expandir. A lei Eusébio de Queirós, de 1850, proibiu o tráfico de escravos e houve a necessidade de mudanças nas relações de trabalho. Aos poucos, as fazendas começaram a contratar trabalhadores assalariados, especialmente imigrantes europeus. 

As grandes fazendas de café deram muito lucro mas começaram a decair com a crise de 29. Assim, as exportações de café diminuíram, e a queda dos preços do produto era inevitável. Para tentar estancar os preços, os empresários brasileiros chegaram a comprar e queimar milhões de sacas de café estocados. Com fim da crise, alguns empresários investiram em processos mais modernos de industrialização.  Assim, paulatinamente, o Sudeste conseguiu se restabelecer com produções de café mais modernas.

Hoje cerca de um terço do café mundial é brasileiro.  O país que mais consome café no mundo é a Finlândia. São 12 quilos do grão por habitante a cada ano. Outras nações nórdicas completam o pódio: em segundo lugar está a Noruega, com 9,9 kg per capita; em terceiro, a Islândia, com 9 kg. 

O dia 14 de abril marca o Dia Mundial do Café. Do começo do dia ao relaxamento pós refeição, companheiro de trabalho e unindo famílias. Vai um café aí?
 


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