Dia do trigo: safra é revista para baixo
CI
Imagem: Eliza Maliszewski
QUEDA

Dia do trigo: safra é revista para baixo

Neste dia 10 de novembro é celebrado o Dia Nacional do Trigo
Por: -Eliza Maliszewski

O trigo é um dos alimentos mais antigos do mundo. Foram encontrados grãos de trigo nos jazigos de múmias do Egito, nas ruínas das habitações lacustres da Suíça e nos tijolos da pirâmide de Dashur, cuja construção data de mais de três mil anos a.C. Os primeiros relatos dessa gramínea datam de 9.500 a.C. Os grãos de trigo eram consumidos numa espécie de papa, misturados com peixes e frutas. A "invenção" do pão é atribuída aos egípcios que descobriram a fermentação. No Brasil chegou logo no começo da colonização, por volta de 1503.

Neste dia 10 de novembro é celebrado o Dia Nacional do Trigo, uma lembrança ao segundo cereal mais cultivado no mundo. A data em 2020 é marcada por desafios. O consumo de trigo no Brasil deve bater recorde de 12 milhões de toneladas neste ano. Em média cada brasileira consome, em média, 40,62 kg de trigo por ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

Mas a produção foi afetada por fatores climáticos como geadas tardias e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta terça-feira (10) que a safra foi revista para baixo. O país deve colher 6,3 milhões de toneladas ou 500 mil toneladas a menos, uma queda de 7%. A produtividade caiu 7,2%, ficando em 2,7 kg/ha. Mesmo em baixa ainda é maior do que a registrada no ano passado. 

Avanço da colheita

As operações de colheita estão em fase avançada, chegando a mais de 80% da área total colhida até o final de outubro. Além disso, a área plantada apresentou um aumento importante, prevendo assim um resultado cerca de 14,6% superior ao obtido em 2019.

No Paraná, maior produtor nacional, o baixo volume de precipitações está ajudando na colheita. A produtividade média, até o momento, tem sido superior àquela registrada em 2019, mesmo com a ocorrência pontual de geadas, granizo, ventos fortes e alguns períodos de estiagem durante o ciclo da cultura. A expectativa é que sejam produzidas mais de 3 milhões de toneladas do cereal nesta temporada, ficando 44,9% superior ao resultado obtido no ano passado.

No Rio Grande do Sul, o clima em outubro permitiu um grande avanço na colheita do trigo, chegando a 37% da área total até o final do mês. As demais lavouras estão em estádio de maturação (49%), enchimento de grãos (11%) e floração (3%). As lavouras mais precoces foram muito impactadas pelas geadas mas a qualidade do que foi colhido é boa, já que esses grãos abortados acabam sendo excluídos pelo próprio processo de colheita. Outra parte das lavouras não foi severamente atingida pelas geadas que ainda estavam em fase vegetativa naquele momento, mas foram impactadas pela estiagem no final do enchimento de grãos, reduzindo a produtividade e também a qualidade de grãos. A produtividade média estimada atualmente é de 2.571 kg/ ha, representando redução de 14,3% em comparação ao obtido no ano passado. Ainda assim, com o expressivo aumento de área plantada nesse ciclo, a previsão é de uma produção superior a 2019, chegando a 2.391,5 mil toneladas (aumento de 8,3% em relação ao exercício anterior). 

Em Santa Catarina, a colheita está em andamento, alcançando 23% da área executada ainda no fim de outubro. As geadas observadas em agosto tiveram impactos em algumas áreas, além dos períodos de estiagem observados em setembro, impedindo a obtenção de produtividades maiores. A estimativa atual é de manutenção do rendimento médio em comparação a 2019. Atualmente, as lavouras remanescentes estão em fase de granação (36%) e maturação (41%), com previsão de finalização da colheita em dezembro.

Na Região Sudeste também há importante produção de trigo. Em Minas Gerais, a triticultura é manejada tanto em condição de sequeiro como em sistema irrigado. De maneira geral, as lavouras apresentaram desenvolvimento satisfatório, mesmo com alguns registros de intempéries em algumas regiões, ao longo do ciclo. A colheita está finalizada, e a produção foi superior à temporada anterior, especialmente pelo incremento na produtividade média visualizada em 2020. Já em São Paulo, a colheita está recém-encerrada, apresentando acréscimo de 16,9% na produção final em comparação a 2019. 

Na Região Centro-Oeste, a cultura tem se adaptado às condições de cerrado, principalmente após anos de investimentos e pesquisas no âmbito do melhoramento genético e no manejo do solo, da água e da planta. Algumas regiões se mostram adequadas a tal cultivo e têm demonstrado bons resultados nas últimas safras. Nesta temporada, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal destinaram área para a triticultura, e a perspectiva é de uma produtividade média regional acima dos 3.200 kg/ha.

A Bahia também é um caso de adaptação da cultura a um ambiente mais tropical. Ainda assim, com um investimento substancial e um manejo totalmente irrigado, a região tem apresentado bons rendimentos médios tendo, inclusive, a produtividade média estimada mais alta entre os estados triticultores, nesta safra.

Mercado

A cotação no Paraná apresentou valorização de 12,52%, com média mensal do trigo pão cotada a R$ 71,57 a saca de 60 quilos. Já no Rio Grande do Sul, a média mensal foi de R$ 69,75 a saca de 60 quilos, e valorização de 19,13%.

O país exporta cerca de 700 toneladas, o restante para suprir o consumo interno vem de importação, volume previsto de 6.800 mil toneladas. Os vizinhos da América Latina também tiveram alguns problemas nesta safra, conforme o Portal Agrolink já mostrou. 

VEJA: Clima impacta trigo pelo mundo


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink