Dourados (MS) aprova lei que disciplina o setor sucroalcoleiro
O projeto de lei estipula a distância mínima de 20 quilômetros entre as usinas, a cidade e os distritos
A Câmara aprovou na sessão dessa terça-feira (19-06) o primeiro projeto de lei impondo regras ao setor sucroalcooleiro, estipulando a distância mínima de 20 quilômetros entre as usinas, a cidade e os distritos. Essa lei, porém, não afetará a Usina São Fernando, já em implantação a 10 km de Dourados, na região do Curral de Arame.
Já a votação do projeto que proíbe as queimadas de canaviais em Dourados promete esquentar a próxima sessão da Câmara. A questão, que é econômica e ambiental, pode se transformar em política, caso manifestantes favoráveis à proposta cumpram a promessa de invadir a sede do Legislativo, caso os vereadores rejeitem o projeto na próxima terça-feira.
Mas todos já se manifestaram favoráveis à proibição. O que está sendo discutido agora é prazo que deverá ser dado a uma indústria sucroalcooleira em implantação na região da Placa do Abadio/Itahum, cujo projeto começou antes desta discussão.
No município estão em fase de instalação duas usinas de açúcar e álcool. A São Fernando (Grupo Bertin) anunciou em março que fará a colheita mecanizada, enquanto a Dourados (Celso Dal Lago/Uniálcool) usará mão de obra, a maioria indígena, para o corte, como foi o seu compromisso com a prefeitura na geração de emprego.
O vereador Paulo Henrique Bambu criticou, durante a sessão na noite de terça-feira, a forma como estão sendo conduzidas as manifestações favoráveis ao projeto proibindo a queima de cana, criticando alguns setores da sociedade – notadamente universitários, que, segundo ele, estão "coagindo" os vereadores com ameaças.
Na segunda-feira, o usineiro Celso Dal Lago, durante reunião com dirigentes de um partido político para falar do seu empreendimento, criticou os "pseudo-ambientalistas" que estão fazendo um movimento contra as queimadas.
"Para nós seria mais cômodo usar colheitadeiras, que fazem o serviço de 80 cortadores de cana. Mas temos um compromisso com o prefeito Laerte Tetila de usar mão-de-obra para esse serviço", explicou o sócio da Dourados – Açúcar e Álcool.
Tetila organizou uma comissão formada por representantes de três secretarias municipais (Agricultura Familiar, Desenvolvimento Econômico e Planejamento e Meio Ambiente) para elaborar um estudo definitivo sobre os impactos da atividade sucroalcooleira em Dourados, para que a administração tenha uma posição definida.