É preciso aprimorar a colheita mecânica, dizem BNDES e produtores rurais
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Agronegócio

É preciso aprimorar a colheita mecânica, dizem BNDES e produtores rurais

É preciso aprimorar a colheita mecânica, dizem BNDES e produtores rurais
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É preciso aprimorar a colheita mecânica, dizem BNDES e produtores rurais

A redução das queimadas de palha de cana-de-açúcar ainda depende de desenvolvimentos tecnológicos na mecanização. Uma proibição total da queima, hoje, inviabilizaria a produção em várias regiões, disseram o representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e expositores ligados aos produtores rurais na audiência pública sobre queimadas em canaviais. Convocada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, a audiência tem por finalidade fornecer dados técnicos para o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 586224, no qual o Estado de São Paulo questiona uma lei do município de Paulínia (SP) que proibiu a queima da palha da cana como método de colheita.


BNDES

Representando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Eduardo de Siqueira Cavalcanti destacou que o banco mantém conversas sistemáticas com o setor sucroenergético abordando a questão da colheita mecanizada como saída para o fim da queima da palha. Segundo o representante do banco, parte dos desafios podem ser superados por melhores práticas em inovação tecnológica. Ele destacou que o BNDES já apoia o desenvolvimento de um novo conceito de colhedora, que se bem sucedido pode superar alguns limitadores existentes nas tecnologias atuais. Os principais problemas hoje são a limitação da bitola - o que restringe o uso em novas variedades de cana -, a inclinação do terreno, a compactação do solo pelas máquinas e o consumo excessivo de combustível.

Ele também observa que o total plantado de cana é pequeno em termos globais: são 20 milhões de hectares, 50% dos quais no Brasil, frente a 400 milhões de hectares de grãos no mundo. “O esforço da inovação da indústria vai para os grãos, não para a cana”, observa.

Outro ponto é apoiar a melhor utilização da biomassa da cana para uso energético e para produtos de maior valor agregado, para além da produção de álcool, açúcar e cogeração de energia. “Aprovamos na semana passada o primeiro projeto no hemisfério sul de aproveitamento da palha para a conversão em etanol celulósico. Isso pode abrir um outro roteiro”, afirma Cavalcanti.


Sindaçúcar

Renato Augusto Pontes Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar), destacou que em Pernambuco 90% das terras usadas para o plantio de cana estão em áreas em que a inclinação é superior a 12%, o que dificulta a implantação da mecanização da colheita. “Se for determinado que não se pode queimar cana no país, está inviabilizada a cana em Pernambuco”, afirmou.

Cunha destacou que os agricultores do Estado estão mantendo negociações para desenvolver novas máquinas, a fim de se conseguir cortar de 40% a 50% da área plantada de cana no estado. E também buscam custos menores, pois um equipamento como os disponíveis no mercado chegaria a R$ 900 mil. “Vamos desenvolver com técnicos brasileiros, porque se for pra esperar pelas multinacionais, não chegaremos lá”, afirma.

Siamig


Segundo Jadir Silva de Oliverira, representante da Associação das Indústrias Sucroenergéticas do Estado de Minas Gerais (Siamig), seu estado apresenta peculiaridades em relação a outras regiões. Há áreas de expansão recente da cana-de-açúcar em que a produção é altamente mecanizada, mas em outras regiões a proibição abrupta da queima trará impactos consideráveis, uma vez que não há alternativas disponíveis no momento. “Leis para serem cumpridas precisam ter condições de aplicação”, afirma.


Em Minas Gerais, a legislação local proibiu o licenciamento de novos empreendimentos em que há o uso do fogo - em algumas regiões, a mecanização chega a 80%. Mas em outras, em que o declive é superior a 12% - limite para o uso de máquinas -, a própria legislação local previu um tratamento diferenciado.

Faeal

Pela Federação da Agricultura de Alagoas (Faeal) falou Noel Montenegro Loureiro, destacando a importância da cultura da cana para a economia e a geração de empregos no estado. Da produção agrícola de Alagoas, 81% vem da cana de açúcar, que é responsável pela geração de cerca de 70 mil empregos. A principal alternativa à cana-de-açúcar, caso ela seja atingida por uma proibição da queima para a colheita, seria o gado. Isso levaria a uma menor geração de renda e empregos, além de ser uma atividade mais prejudicial ao meio ambiente - a captação de gás carbônico pela cana seria maior do que no caso das pastagens.

FT/AD

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