Economia do CE é marcada por nove ciclos
Livro detalha avanços da economia cearense frente aos desafios pautados por grandes secas e suas superações
Consolidar a evolução da economia no Ceará significa acompanhar o comportamento de nove ciclos que aconteceram, na sua maioria, pelas grandes secas e soluções baseadas em inovações criativas dos cearenses como meio de sobrevivência. Estão baseados na Pecuária; Couro e carne do sol; Algodão; Rapadura e café; Extrativismo vegetal; Extrativismo mineral; Lagosta e o caju; Turismo; e Indústria. Detalhes desses momentos estão registrados no livro ´Ciclos Econômicos do Ceará´, do engenheiro químico e empresário do setor coureiro, Cândido Couto Filho.
Para ele, ´a publicação resume o melhor da história da economia do Estado´. ´É fonte de conhecimento geral; vai permitir que o cearense conheça os ciclos econômicos. Muita gente desconhece como se comportou a economia ao longo do tempo´, destacou.
Na publicação, Couto Filho descreve a Pecuária como o primeiro ciclo econômico, ´que surge cerca de 150 anos após o descobrimento. Foi conseqüência da expansão dos colonizadores e da cultura canavieira´.
Segundo ele, a impossibilidade de concorrer comercialmente com a criação dos rebanhos fez com os fazendeiros passassem a exportar o gado abatido, transformado em carne seca salgada e couro. Assim nasce o segundo ciclo.
Com a diminuição do rebanho causada pela grandes secas, o cultivo do algodão (3º ciclo) passa a ser atividade principal no Estado. O quarto momento da economia local é caracterizado pelo cultivo da cana-de-açúcar e pela indústria cafeeira, que surgiram como opção econômica nas regiões menos afetadas pela estiagem.
De acordo com a publicação, com a desaceleração da produção algodoeira, iniciou outro ciclo, o do Extrativismo Vegetal, com ênfase para a carnaúba, oiticica, mamona, coco, borracha, urucum e babaçu. Veio em seguida, o Extrativismo Mineral (6º ciclo), com a exploração do sal, ouro, prata, granito, água, cal, gesso e petróleo.
A produção do caju e da lagosta compreende outro ciclo (7º). O livro conta um pouco dessa história e apresenta perspectivas. O Turismo (8º) é apontado com a maior das atividades integradoras em constante crescimento, gerando empregos e renda. São serviços e negócios envolvendo várias cadeias produtivas.
O nono ciclo econômico abordado pela publicação é o das Indústrias. A industrialização iniciou com couros e peles. ´É com certeza a mais antiga e foi muito próspera. Atualmente, o setor enfrenta muitas dificuldades — não temos consumidor para o produto final´, lamenta Couto Filho.