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Brasil recebe reunião global sobre espécies migratórias

Conferência discute estratégias globais para proteger espécies migratórias


Foto: Carlos Eduardo Fragoso / WWF-Brasil

A 15ª reunião da Conferência das Partes (COP) da Convenção sobre Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS) começa hoje em Campo Grande, Brasil. A cidade fica nos limites do Pantanal, uma das áreas úmidas mais importantes e diversas do mundo, lar de onças-pintadas, capivaras (o maior roedor do planeta) e lírios-gigantes (uma espécie de lírio-d'água com as maiores de qualquer planta do mundo).

Aproximadamente dois terços dos países soberanos do mundo (133 no total) são Partes desta Convenção, cujo objetivo é facilitar a cooperação internacional necessária para conservar as espécies que migram entre um país e outro. Ela possui dois Apêndices. O Apêndice I lista as espécies que requerem proteção rigorosa, incluindo a proibição de captura em quase todas as circunstâncias. O Apêndice II lista as espécies para as quais a cooperação internacional é necessária para garantir sua conservação; essa cooperação pode assumir a forma de acordos formais, memorandos de entendimento, planos de ação ou outras medidas. A conferência irá considerar a inclusão de mais espécies nesses apêndices, como a hiena-listrada, que ocorre na África e na Ásia. Também serão decididas medidas adicionais para proteger espécies já listadas, como a designação de Áreas Importantes para Tartarugas Marinhas e planos de ação para espécies como o tubarão-tope, a abetarda-asiática e o bagre-amazônico, além de questões transversais, como poluição, mudanças climáticas, carne de animais silvestres e assim por diante.

“Costuma-se dizer nas reuniões da COP que elas acontecem em um momento crítico”, diz o Dr. Colmán Ó Críodáin, chefe de políticas de vida selvagem do WWF, “mas, neste caso, isso é mais verdadeiro do que nunca. A recente atualização do relatório da Convenção sobre o Estado das Espécies Migratórias do Mundo nos diz que, apesar de muitos sucessos táticos, não estamos vencendo, em termos gerais, a luta para proteger essas espécies. O relatório e outros documentos da agenda identificam a falta de cobertura de áreas protegidas e conservadas como um fator-chave nesse aspecto. A CMS argumentou, corretamente, que, além da designação de Unidades de Conservação e áreas protegidas, devemos garantir a conectividade entre elas, e se posicionou firmemente na vanguarda do movimento por uma maior conectividade ecológica. Ficamos satisfeitos em ver que a agenda da COP15 terá base nesse trabalho.”

“O WWF se orgulha de seu engajamento com a CMS”, diz Mariana Napolitano, Diretora de Conservação do WWF-Brasil. “Aderimos à Parceria Global sobre Conectividade Ecológica desde o início. Nesta reunião, promoveremos a necessidade de conectividade entre todos os biomas – incluindo águas interiores, marinhas e terrestres. Por exemplo, o WWF trabalhou com parceiros para incentivar uma maior inclusão de peixes migratórios de água doce nos apêndices da CMS e destacou a necessidade de conectividade em água doce para espécies como o boto-cor-de-rosa. Além disso, apresentaremos nosso trabalho voltado para corredores azuis, tanto para cetáceos quanto para tartarugas marinhas, mapeando as conexões entre áreas de reprodução e alimentação para que possamos gerenciar melhor suas interações com atividades como navegação e pesca. Também no caso das tartarugas marinhas, os corredores azuis estão catalisando a delimitação de Áreas Importantes para Tartarugas Marinhas. E desempenhamos um papel fundamental no desenvolvimento de planos de ação para tubarões-tope, tartarugas marinhas, abetardas-asiáticas e bagres-amazônicos. Trabalhamos com o Governo Brasileiro na organização desta reunião, onde decisões importantes também serão tomadas em relação às onças-pintadas, uma das espécies mais magníficas da América Latina.”

“O WWF faz um apelo para que as Partes trabalhem em conjunto nesta conferência para que seja possível alcançar o consenso sobre questões difíceis”, afirma o Dr. Ó Críodáin. “Conseguimos fazer isso em reuniões anteriores, em especial na última, quando concordamos que a exploração mineral em águas profundas não deveria ser iniciada até que a gama de riscos para as espécies migratórias fosse totalmente compreendida e pudesse ser mitigada. Se conseguimos chegar a um acordo sobre essa questão, estou confiante de que podemos fazer o mesmo em relação às questões que estamos discutindo nesta semana.”

 

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