Escoamento de grãos depende de Paranaguá
O porto de Paranaguá prevê movimentar este ano 15 milhões de toneladas, entre soja, farelo e milho
O porto de Paranaguá (PR) prevê movimentar este ano 15 milhões de toneladas, entre soja, farelo e milho. O número representa 2,5 milhões de toneladas a mais que o realizado no passado - crescimento de 20%. No entanto, especialistas em logística acreditam que, por conta da maior exportação prevista de milho e do complexo soja, o adicional para Paranaguá este ano deveria ser de 4,5 milhões de toneladas. "Se o porto não absorver todo esse volume, pode haver colapso em outros terminais", avalia Luiz Antônio Fayet, consultor da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para Logística e Infra-estrutura.
No ano passado, o Brasil exportou 31,2 milhões de toneladas, entre milho, soja e farelo, de acordo com dados da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec). Para este ano, esse volume deve receber adicional de 6 milhões de toneladas, segundo a Anec, caso se exporte 6,9 milhões de toneladas de milho. No entanto, nas estimativas da CNA, a venda externa desse cereal será, pelo menos, de 8 milhões de toneladas, o que resultaria em um acréscimo no montante exportado de 8 milhões de toneladas, dos quais 3 milhões de toneladas poderiam ser absorvidos por outros portos, como o de Rio Grande (RS) - 1,5 milhão de toneladas - o de São Francisco do Sul (SC) - 1 milhão de toneladas - e o de Porto Velho (RO) - 500 mil toneladas. "Esses cerca de 4,5 milhões de toneladas só poderiam seguir por Paranaguá, pois o porto de Santos (SP) tem restrições de acesso", explica Fayet.
Segundo o chefe do departamento de operações da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APA), Clauber Candian, o porto paranaense tem condições de absorver toda essa demanda. Este ano, a capacidade do silo público de Paranaguá será duplicada para 207 mil toneladas. Segundo ele, a projeção inicial de 15 milhões de toneladas foi feita com base na demanda identificada pelo setor exportador.
Até 16 de abril, Paranaguá movimentou 4,1 milhões de toneladas - entre soja, milho e farelo - 35% mais que no mesmo período de 2006. O maior volume adicional foi de milho. Dos 4,1 milhões de toneladas, 935 mil toneladas foram só desse cereal, mais que o dobro do registrado no ano passado. De soja em grão, foram 1,6 milhão de toneladas, 9% a mais que no mesmo período de 2006, e de farelo, 1,5 milhão de toneladas, expansão de 34% na comparação com 16 de abril do ano passado.
Fayet acredita que se qualquer dificuldade para escoamento via Paranaguá ocorrer, não será por falta de capacidade instalada, mas por modificações feitas pela administração do porto. "A movimentação de cargas transgênicas, por exemplo, vem sendo feita em Paranaguá por medidas judiciais. Isso causa instabilidade no planejamento logístico", lamenta Fayet.