Etanol: Litro pode chegar a R$ 2 na Grande Cuiabá/MT

Agronegócio

Etanol: Litro pode chegar a R$ 2 na Grande Cuiabá/MT

Se a projeção se confirmar, etanol perderá a competitividade sobre gasolina
Por: -Marcondes Maciel
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Moagem vai chegando ao fim em Mato Grosso. Barralcool já encerrou a temporada 2010 e Itamarati para no dia 18. Estoques sofrerão pressão

Após alcançar no começo de novembro a marca recorde do ano, o preço do litro do etanol hidratado na Grande Cuiabá está aparentemente “estabilizado” nos atuais R$ 1,89. Mas o consumidor que se prepare: o mercado já começa a dar sinais de um novo movimento de alta a partir da segunda quinzena deste mês, quando a maior usina em operação no Estado – a Itamarati – encerra o seu ciclo de produção em 2010. E há quem aposte que os preços do etanol podem ultrapassar a barreira de R$ 2, algo que não se vê em Cuiabá desde 2008. No ano passado, nesta mesma época, o etanol era vendido em Cuiabá ao preço de R$ 1,49.

Se a projeção se confirmar, o etanol perderá a competitividade sobre a gasolina, já que os R$ 2 representarão mais de 71% do valor do derivado de petróleo, hoje cotado em média a R$ 2,78, na Capital.

As previsões sobre uma nova alta vêm das distribuidoras. Fonte ligada a uma grande companhia aponta pelo menos dois motivos para o aumento: a redução dos estoques das usinas e uma possível variação dos índices do Esalq/USP, que servem de parâmetro para a cotação dos preços.

“A avaliação dos preços é feita semanalmente, conforme os índices da Esalq. E já temos informações de que nas próximas semanas estes índices poderão sofrer uma variação para cima devido à redução dos estoques nacionais de etanol. Mato Grosso segue estes índices e também deve acompanhar o movimento altista”, diz o empresário que prefere “não aparecer na entrevista”.

Ele conta que esta tendência é clara porque “o estoque existe, mas está nas mãos de poucos. Os estoques das usinas estão vinculados aos contratos de distribuidores que compraram o produto antecipado e já pagaram. Acredito que outras companhias terão dificuldades para adquirir o produto, acarretando a alta”.

USINAS – Na indústria, a informação é de que há estoque suficiente para virar a safra, sem sobressaltos. “Os estoques estão sensivelmente melhores do que os do ano passado e não há possibilidade de faltar o produto no mercado”, garante o diretor executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindálcool), Jorge dos Santos. Ele informou que a Barralcool, localizada em Barra do Bugres (165 quilômetros ao norte de Cuiabá) já encerrou o ciclo de moagem de cana-de-açúcar e a Itamarati, em Nova Olímpia (207 quilômetros ao norte de Cuiabá) deverá concluir o processo no próximo dia 18. Juntas, as duas plantas respondem por cerca de 60% da produção estadual de etanol.

“Temos estoque e o compromisso social com a comunidade mato-grossense está mantido”, frisa Santos, lembrando que a moagem vai fechar em 14,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, responsáveis pela produção de 415 mil toneladas de açúcar, 600 milhões de litros de etanol hidratado (combustível) e, 270 milhões de litros de anidro (adicionado à gasolina). A produção é similar à registrada na safra passada.

Nos próximos dias, executivos das indústrias reúnem-se para avaliar a safra, verificar custos e analisar o impacto da estiagem nas lavouras canavieiras. A primeira análise é de que a seca pode ter prejudicado as socas dos canaviais (raízes da planta), que são tratadas para um novo ciclo produtivo. “Mas não vemos grandes variações econômicas para oscilações significativas de preços a partir da agroindústria”, afirmou Santos.

Ele diz que 2010 foi o melhor ano em termos de preços médios nas últimas três safras, o que permitirá a recuperação dos canaviais e o tratamento da soca. Segundo o executivo do Sindálcool, nos últimos anos as usinas tiveram perdas com a atividade. Algumas tiveram inclusive que pedir recuperação judicial para transpor a crise. Com isso, o setor praticamente deixou de fazer investimentos, reduzindo a produção e deixando de gerar empregos. Com a recuperação dos preços, as usinas acreditam que o setor pode se recuperar da crise. “Podemos dar um tratamento mais adequado aos canaviais e torná-los mais produtivos”, afirmou Santos.

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