EUA dificultam negociação com Brasil na OMC
Fiesp repudiou a possibilidade do Brasil oferecer abertura mais ampla para destravar Doha
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) deixou claro nessa quinta-feira (12-04) o débil poder de fogo do Brasil nas negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Logo depois de encontrar-se com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, o presidente da entidade, Paulo Skaf, repudiou a possibilidade do Brasil oferecer abertura mais ampla do seu mercado industrial, como contrapartida à ambicionada liberalização do mercado agrícola e à redução dos subsídios ao setor pelo mundo desenvolvido.
“Não existe nada de Coeficiente 15. Esquece isso e não fale de Coeficiente 15, que você não está sendo uma boa brasileira”, respondeu Skaf a uma jornalista, que indagara se a Fiesp concordaria com uma oferta formal do Brasil de redução da tarifa de importação máxima para bens industriais, hoje em 35%, para 10,5%. “O Coeficiente é 30”, completou.
O Coeficiente 15 da Fórmula Suíça, usada na OMC para definir os cortes de tarifas para bens industriais, é uma carta na manga dos negociadores brasileiros. Esse coeficiente prevê ainda que a tarifa média de importação de produtos industriais caia de 10,77% para 9,79%. No total, 5.480 itens do setor brasileiro sofreriam cortes em suas tarifas.
Em princípio, essa carta seria baixada à mesa como contrapartida a um acordo agrícola mais ambicioso na Rodada. Ou seja, se for contemplada a exigência do G-20, o grupo de economias em desenvolvimento liderado pelo Brasil e pela Índia, de queda para US$ 15 bilhões no teto de subsídios dos EUA a seus agricultores e de liberalização de 57% no mercado agrícola europeu.