Os EUA vão se transformar no maior mercado de vinhos do mundo até 2008, superando a França, Alemanha e Itália, em termos de quantidade vendida, informou um estudo conduzido pelo setor vinícola.
Nos próximos três anos, as vendas de vinhos nos EUA totalizarão 3,69 bilhões de garrafas tamanho standard, ou 29% a mais que em 2003, segundo o relatório do International Wines & Spirits. O valor dessas vendas avançará 45%, para US$ 24,21 bilhões, demonstrou o relatório. Uma garrafa standard contém 75 centilitros.
Os americanos não se tornarão os maiores bebedores (per capita) de vinho do mundo - pois esse título permanece com os italianos, cujo país é o maior produtor mundial -, mas beberão 65,3 garrafas por pessoa anualmente, até 2008, projetou o estudo. Na média, o consumo individual dos americanos totalizará 17,5 garrafas anuais no espaço de três anos. Isso é muito pouco para figurar entre os 10 maiores países consumidores de vinho, entretanto representa três garrafas a mais que em 2003.
"Os americanos estão dando as costas para as bebidas fortes e os coquetéis, que seus pais bebiam, e voltam-se para o vinho", disse Jean-Marie Chadronnier, principal executivo da CVBG-Dourthe-Kressman, empresa produtora e comercializadora de vinho Bordeaux.
Os consumidores dos EUA também gastam mais com o que entra em seus copos. Os vinhos que custam menos de US$ 5 a garrafa - e que respondem por três quartos das vendas -, perderam terreno para os concorrentes mais caros.
O estudo também enfatizou problemas de superprodução. A fabricação de vinho nos dez países maiores fabricantes mundiais, que responde por 83% da produção global, aumentará 9,5%, para 237,5 milhões de hectolitros, ou 31,7 bilhões de garrafas tamanho standard, até 2008, estima o relatório.
Isso significa que, até 2008, a superprodução totalizará cerca de 4,15 bilhões de garrafas de vinho, prevê o estudo. Isso trará "problemas e dor" para os fabricantes vinícolas da França, maior país exportador do mundo, disse Chadronnier. Os franceses poderão reduzir em 10% as compras de vinho até 2008.
O estudo foi baseado em informações fornecidas pelos governos por mil produtores vinícolas, distribuidores e corretores em 28 países produtores de vinho, e em 110 países onde a bebida é vendida.