Expansão de usinas em Minas tem foco em bioeletricidade

Agronegócio

Expansão de usinas em Minas tem foco em bioeletricidade

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Priscila Machado

SÃO PAULO - A fronteira do setor sucroalcooleiro irá se estender ainda mais em direção ao Estado de Minas Gerais. A região, que ampliou a produção de cana-de-açúcar em cerca de 15% na safra 2009, para 51 milhões de toneladas, está recebendo três novos investimentos que, juntos, deverão incrementar a moagem de cana em mais 4,5 milhões de toneladas. Além de apostarem na vocação agrícola do estado, o que esses projetos têm em comum é o fato de a utilização do bagaço de cana para a produção de energia elétrica ocupar um importante espaço nos planos de expansão dessas companhias.


Em um dos empreendimentos, a Usina Monte Alegre, de propriedade do grupo Adecoagro, já está em funcionamento e inaugurou ontem sua Pequena Central Termoelétrica (PCT). Para viabilização do projeto foram empregados R$ 44 milhões que possibilitaram a ampliação da geração de energia com a queima do bagaço de cana de 2,5MW/hora para 18MW/hora.

De acordo com informações do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig/Sindaçúcar-MG), os recursos da sua associada foram alocados para a troca de caldeiras de baixa pressão para alta pressão, com um consumo interno de 4MW/hora, gerando um excedente de produção. Parte do investimento também foi aplicado na construção de uma linha de transmissão de 12 quilômetros até a subestação da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), no município de Areado. A estatal já firmou um contrato para a aquisição de cerca de 10 MW/h, por um período de 10 anos. "Passamos de comprador de energia na safra para produtor com excedente para venda ao mercado", afirmou Ronaldo Duarte, diretor da Usina.


Segundo o executivo, a venda de energia elétrica passará a participar com 12% do faturamento da empresa, além da comercialização de açúcar e etanol.

A companhia também está se modernizando com o objetivo de aumentar a produção de açúcar e álcool de modo sustentável. "Estamos preparando a usina para passar da atual moagem de 1,05 milhão de toneladas de cana para 1,5 milhão de t em 2010/2011, com sustentabilidade em todos os processos produtivos", afirma Duarte. Para isso foi acoplado à caldeira um sistema de lavagem de gases e multiciclones, evitando a emissão de partículas no ar, além da implantação de um circuito fechado de reutilização da água da lavagem de cana. Está sendo construído, ainda, um tanque para acúmulo de vinhaça (resíduo da produção de etanol), que atualmente é utilizada em 2,4 mil hectares de cana e poderá ser estendida para os 12 mil hectares plantados da usina.

Outras usinas mineiras já estão com os financiamentos aprovados para avançar nos projetos de produção de açúcar, álcool e energia. Ontem, o Conselho Integrado de Desenvolvimento (Coind) aprovou financiamentos de R$ 461 milhões para nove projetos de implantação ou expansão de empresas em várias regiões de Minas, incluindo duas usinas de açúcar e álcool no âmbito do Pró-Giro.


A Usina Frutal Açúcar e Álcool S.A., localizada na cidade de Frutal, no Triângulo Mineiro, receberá financiamento de R$ 107,7 milhões, em 108 meses, para instalação da sua unidade industrial. O projeto, que exigirá um investimento total de R$ 220,8 milhões, deve gerar 1.375 empregos. A previsão é a de que a capacidade de processamento da planta seja de até 2,5 milhões de toneladas de cana por ano, para fins de produção de açúcar cristal, álcool etílico hidratado carburante e co-geração de energia elétrica.

A Usina Uberaba S.A. também teve aprovado o pedido de R$ 162,8 milhões, em 96 meses, para a implantação da sua fábrica no Município de Uberaba. O investimento total será de R$ 168,7 milhões. A empresa estima moer 1,62 milhão de toneladas de cana por ano para produção de açúcar orgânico, açúcar cristal, álcool etílico hidratado carburante e energia elétrica. A expectativa é a de que sejam criados 950 empregos diretos. Os recursos são do Fundo de Incentivo ao Desenvolvimento (Findes), geridos pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) que serão disponibilizados pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

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