Exportações recordes de soja reduzem estoques no Brasil

Agronegócio

Exportações recordes de soja reduzem estoques no Brasil

Isso refletirá numa queda no ritmo de embarques para o exterior no segundo semestre e preços mais firmes, disseram fontes da indústria e do setor produtivo
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Após exportações recordes de soja em grão por três meses consecutivos, em abril, maio e junho, o Brasil começa a lidar com uma situação de estoques mais reduzidos, o que se refletirá numa queda no ritmo de embarques para o exterior no segundo semestre e preços mais firmes, disseram fontes da indústria e do setor produtivo.

De janeiro a junho, o Brasil exportou 19 milhões de t, ou 76% dos cerca de 25 milhões que o País espera embarcar neste ano, com os exportadores aproveitando a forte demanda externa, especialmente da China, e os bons preços, num ano de quebra de safra na Argentina, terceiro exportador global após Estados Unidos e Brasil.

E com uma safra 2008/09 do Brasil de 57 milhões de t e um consumo interno previsto em mais de 30 milhões de t, os estoques devem fechar a temporada apertados. "O preço vai ter que sinalizar essa restrição. O racionamento da oferta terá que ocorrer via o preço", declarou o analista da AgraFNP, Pedro Collussi, referindo-se ao restante da safra 08/09 brasileira ainda não comercializada.

O setor produtivo concorda. "A indústria vai ter que pagar acima do valor de mercado. Pois precisa ter estoque na entressafra, sai mais caro deixar a fábrica parada por falta de matéria-prima", acrescentou o analista de mercado Carlos Miranda Júnior, da Central de Comercialização de Grãos dos produtores de Mato Grosso.

O analista lembrou que os agricultores, especialmente os do Mato Grosso, já comercializaram cerca de 90% da safra 08/09. Nos outros Estados da região centro-sul o volume comprometido para vendas é menor. Miranda Júnior destacou ainda que os prêmios nos portos para os próximos meses (de 1,4 dólar por bushel para embarque em agosto) estão compensando o mercado invertido na Bolsa de Chicago.

Os futuros em Chicago estão atipicamente mais baixos para as posições mais distantes porque há uma expectativa de maior oferta com a entrada da safra americana, após setembro. Ao mesmo tempo, o contrato julho da CBOT, que está para vencer, espelha a escassez de produto para oferta imediata.

Enquanto não chega a safra dos EUA, maior produtor mundial, a ordem do setor exportador é aproveitar o momento, o que explica os embarques recordes nos últimos meses.

"Está rodando rápido em função de o mercado estar mais apertado. A safra da Argentina quebrou muito, e a demanda está se mantendo em patamar elevado. Faz tempo que o pessoal fala que a China vai dar uma paradinha, mas não deu", disse o secretário-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho.

Segundo o executivo, a conjuntura atual está fazendo com que se acentue mais este ano a concentração dos embarques em maio, junho e julho, quando o Brasil tradicionalmente já exporta mais soja.

"E depois, quando chegar o final do ano, não vamos ter produto para vender em quantidades maiores", ressaltou ele. "No final vai ser muito lento, volumes menores, concentrou mais as exportações, mais do que o normal."

Segundo Trigueirinho, é natural que o Brasil esteja aproveitando os bons preços para realizar os embarques antes da entrada da safra dos EUA.

"É racional. Todo mundo tenta trabalhar o máximo antes da entrada da safra norte-americana, para ter uma receita maior. Não faz sentido carregar estoque este ano", afirmou ele, observando que junho, quando o Brasil exportou mais de 6 milhões de t de soja em grão, o setor trabalhou "a pleno" sua logística, e contou com a sorte de não registrar contratempos.

Apesar das fortes exportações, a Abiove ainda mantêm sua previsão de exportações para o ano, de 24,8 milhões de t de soja, entre fevereiro de 2009 e janeiro de 2010, ante 24,5 milhões da temporada anterior. A associação prevê ainda estoques finais de 1,5 milhão de t, ante 1,9 milhão na temporada passada.

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