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Falta de equipamentos provoca atraso na colheita de cana

A safra de cana do centro-sul está avançando num ritmo menor que o esperado


Reuters - A safra de cana do centro-sul, que foi iniciada em março e deveria ganhar força em meados de abril, está avançando num ritmo menor que o esperado, informou nesta sexta-feira (20-04) o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues. A demora na entrega de equipamentos às usinas, tanto de máquinas novas quanto de peças que estavam em manutenção, está fazendo com que pelo menos 10 por cento das usinas do centro-sul tenham de adiar o início da moagem.

"O número de unidades em operação é quase igual ao do ano passado. Não houve o incremento que era esperado", disse Pádua, citando que também o baixo rendimento industrial mostrado pela cana processada até agora contribui para o atraso. Há 85 usinas atualmente em operação, frente a quase 90 no ano passado. A expectativa era ter um número maior porque há mais cana este ano para ser moída.

Algumas unidades estão com 20 a 25 dias de atraso pela falta de peças, disse Pádua. Ele afirmou que se o tempo ficar seco durante a safra, esses dias poderão ser recuperados dependendo da capacidade de moagem. Mas se a safra for chuvosa, essas usinas "correm um grande risco de ter contingente de cana em pé (cana deixada no campo para ser processada no ano seguinte)", disse o diretor.

A demanda por serviços, manutenção ou por equipamentos novos do setor sucroalcooleiro tem sido forte diante do crescimento dessa indústria, baseado no potencial do álcool. Praticamente todas as unidades do centro-sul estão realizando melhorias industrias ou ampliações de capacidade. Além disso, 16 novas usinas entrarão em atividade nesta temporada, e outras dezenas pelos próximos anos.

Uma unidade nova, depois de instalada, demora normalmente dois a três meses para ser ajustada e começar a produzir. Pádua afirmou ainda que em algumas usinas, o rendimento industrial (quantidade de ATR por tonelada de cana) está 3 ou 4 quilos abaixo do registrado nesta mesma época do ano passado, devido às chuvas em fevereiro. Ele disse que, contudo, a tendência é que neste mês o rendimento se recupere porque abril foi um mês seco.

O diretor da Unica descartou a possibilidade de que o preço do álcool, mais baixo do que no ano passado, tenha sido um desestímulo à produção este ano. "O preço está bom. Se tivesse que produzir e vender, estaria ganhando dinheiro", disse ele, ressaltando que algumas usinas tinham entregas de álcool previstas para esta época e não puderam produzir e entregar por conta do atraso nos equipamentos.

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