Farsul alerta que tributos podem inviabilizar arroz e trigo
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Agronegócio

Farsul alerta que tributos podem inviabilizar arroz e trigo

Custos de produção elevados e perda de competitividade podem inviabilizar produção
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Custos de produção elevados e perda de competitividade podem inviabilizar produção agrícola gaúcha, diz Farsul

A perda de competitividade nos mercados interno e externo, provocada pelos elevados custos de produção, pode chegar a inviabilizar economicamente os cultivos agrícolas no Rio Grande do Sul, especialmente arroz e trigo. A previsão, que não foi atrelada a nenhum prazo, foi feita pela Farsul nesta quinta-feira, ao fazer um balanço do agronegócio deste ano e lançar perspectivas para 2012. A entidade aponta que o fator preponderante para a baixa competitividade é a carga tributária, que cria o risco da "desagriculturização".


Segundo Carlos Sperotto, presidente da Farsul, a situação é análoga à perda de competitividade provocada pela valorização do real na indústria. "Com a moeda valorizada, fica difícil vender lá fora, mas entram muitos produtos do exterior, sem a mesma carga tributária, para concorrer aqui dentro. A indústria acaba inviabilizada e para de produzir. Com a agricultura pode acontecer o mesmo se a situação se agravar. Estamos fazendo nosso papel de alertar", afirmou ele, ao ponderar que esses efeitos extremos não devem ser percebidos no curto prazo.

Segundo o estudo da entidade, o Brasil só não entrou nesse processo porque existe fartura de recursos naturais e os avanços tecnológicos são assimilados pelos produtores. Entretanto, a perda de competitividade no arroz seria um dos indicadores mais claros de que o processo existe. A produtividade do cereal é uma das mais altas (com 7,6 mil quilos por hectare, frente a 6,3 mil da Argentina ou 2,5 mil do Vietnã), mas o custo de produção é 27% maior que na Argentina e 55% mais alto que no Vietnã. A situação se deve à tributação, às más condições logísticas e ao que a entidade chama de falta de liberdade de comércio de insumos.


Um comparativo entre o preço dos insumos no Estado e na Argentina, feito pela Farsul, mostra que os tratores de 75cv 4x2 são 42% mais baratos no outro lado da fronteira. "Não podemos ter acesso a esses insumos sem a carga tributária, mas temos que concorrer com o produto deles, que carregam essas condições de produção muito mais baratas", reclamou Sperotto.

A entidade afirma que o custo operacional na soja é 30% superior no Brasil em relação aos Estados Unidos e o dobro do custo argentino. Para o milho, a vantagem americana é de 40% e a Argentina, de 90%. Já no caso do trigo, os custos locais são 90% maiores que na América do Norte, 60% mais que Argentina, sobrepõem em 40% os números da Europa e superam em 3,5 vezes o custo da Rússia.


Ainda assim, para 2012, a entidade calcula que o Estado terá uma área plantada 4% maior que neste ano, chegando a 7,734 milhões de hectares. As maiores reduções são esperadas para as lavouras de centeio (-36,8%), girassol (-30,4%) e feijão de primeira safra (-8,3%). Já triticale (36,2%), milho (15%) e trigo (13,5%) serão as culturas que terão maior expansão territorial. O rendimento médio das lavouras deve cair 5,1% em todo o Rio Grande do Sul, segundo as estimativas da Conab compiladas pela Farsul. A maior queda deverá ser na soja, com 15,6% menos de rendimento médio e o maior ganho, no centeio, que deve produzir 18,8% mais em 2012. Dessa forma, a safra 2012 deve ficar 7% menor que a de 2011, chegando a 26,84 milhões de toneladas - ainda assim a segunda da história gaúcha.

Para o arroz, a crise vivida nesse ano leva à projeção de uma produção 8% menor no ano que vem, uma redução impactada também pelo baixo nível das barragens na zona de produção. Já no feijão, a tendência de queda deve ser acentuada e a retração pode chegar a 14%. De acordo com o relatório da Farsul, com a maior alíquota interestadual (7% contra 1% dos demais estados do Sul e de São Paulo e de 3% de Minas Gerais), a tendência é que o cultivo seja até extinto no Estado. A área atual do feijão é menos da metade da ocupada em 1990. Para o milho, a manutenção dos preços internacionais deve motivar o aumento de área (15%), mas o La Niña pode reduzir a produção em 1%. Para a soja, a expectativa l é de que a demanda se mantenha, apesar da crise europeia. Com isso, deve aumentar em 2,5%, mas a produção será 10% menor.

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