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FEIJÃO: Metade das lavouras em campo

Irregularidade das chuvas, excesso de umidade e mudanças climáticas impactam a produção


Foto: Pixabay

A análise das últimas informações do Boletim Semanal da Conab sobre o progresso da safra de feijão no Brasil revela um cenário variado, refletindo as distintas condições climáticas e de manejo nas principais regiões produtoras. 

Em Minas Gerais, o atraso no plantio causado pela irregularidade das chuvas representa um desafio comum na agricultura, onde a dependência de fatores climáticos pode impactar significativamente o calendário agrícola. No entanto, as chuvas recentes trouxeram benefícios às lavouras.

Na Bahia, a situação é mais crítica, com o plantio atrasado devido à escassez de chuvas. Essa realidade reforça a necessidade de estratégias de manejo que considerem a variabilidade climática, como a adoção de práticas de conservação de água e seleção de variedades mais resistentes à seca. 

Em Goiás, a condição geral das lavouras varia de boa a regular, evidenciando a eficácia da irrigação complementar como uma ferramenta vital para mitigar os efeitos adversos do clima e manter a estabilidade da produção.

São Paulo já iniciou a colheita, com relatos de boa qualidade e rendimento dos grãos. Este é um indicativo positivo, destacando a capacidade dos produtores de superar os desafios climáticos e gerenciais para assegurar uma produção de qualidade. 

No Paraná, a semeadura das lavouras tardias está sendo concluída, enquanto a colheita das lavouras mais precoces avança. As precipitações, embora benéficas para o crescimento das plantas, dificultaram as operações de semeadura e tratos culturais. Ainda assim, a maioria das lavouras está em boas condições, demonstrando a resiliência do setor frente às adversidades climáticas.

Em Santa Catarina, o aumento dos casos de antracnose, associados ao excesso de umidade, destaca os desafios fitossanitários que podem surgir em condições climáticas específicas. O controle dessas doenças é limitado pela dificuldade na realização do manejo, o que reforça a importância de uma abordagem integrada de manejo de pragas e doenças, adaptada às condições locais. 

No Rio Grande do Sul, a evolução tímida na semeadura é contrabalançada pelos dias de tempo firme e maior fotoperíodo, que favorecem o desenvolvimento e a sanidade da cultura. Porém, a alta umidade do solo em algumas regiões impediu a realização dos manejos das lavouras, ressaltando a necessidade de estratégias de manejo do solo e da água adaptadas às condições locais.

"Apesar dos avanços recentes, apenas metade das lavouras estão semeadas no país (49,8%), o que representa uma diferença de 12,5% frente aos 62,3% registrados no mesmo período no ano passado. Grande parte das lavouras estão em enchimento de grãos, e as mais adiantadas entrando na maturação", analisa o meteorologista Gabriel Rodrigues.

Na Bahia, vemos um avanço de 8% em uma semana, passando de 17% para 25% de progresso na safra. Este aumento, entretanto, ainda deixa o estado categorizado como muito atrasado, pois a variação em relação à safra anterior é de -32,6%.

Goiás apresenta um quadro quase concluído, com um avanço de 3% na semana, alcançando 99% do progresso da safra. Este estado está classificado como normal, pois a variação com a safra passada é insignificante.

Minas Gerais mostra um aumento de 6,4% no progresso semanal, passando de 68,5% para 74,9%. Este crescimento indica que o estado está atrasado, já que a variação em relação à safra anterior é de -15,1%.

Em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, não houve variação na semana. São Paulo e Paraná mantêm um progresso de 100% e 99%, respectivamente, categorizando-os como normal. 

O Rio Grande do Sul, permanecendo em 63%, é classificado como muito atrasado devido à variação negativa de -20% em comparação com a safra anterior.

Santa Catarina teve um aumento semanal de 7,6%, subindo de 75% para 82,6% no progresso da safra. Apesar do avanço, o estado está atrasado, com uma variação negativa de -13,4% em relação ao ano anterior.

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