Feijão deve ocupar manchetes novamente
Novamente o governo se preocupará com a inflação que o feijão causará no segundo semestre
1) Os preços durante o primeiro semestre não foram atrativos e a partir de agora as áreas que serão colhidas são menores que as tradicionais.
2) Cana de açúcar, contratos de trigo, contratos de semente de milho contribuem com a área menor para feijão. A produção está estimada em 762,9 mil toneladas ou 8,3% menos que na safra passada. Estes são dados oficiais são estimados e os dias a frente podem mostrar um volume ainda menor. A redução é estimada para áreas em Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso e refletem área menor bem como a perda de rendimento nos estados do Nordeste e Centro-Oeste. A situação da safra nordestina em termos de produtividade ainda apontará quebras consideráveis com as chuvas registradas até o momento.
4) Fato importante também a ser levado em consideração é que o mercado normalmente tende a ser mais ativo no segundo semestre e com menor oferta de feijão de custo baixo.
6) Sem a possibilidade estocar o feijão carioca, os empacotadores trabalham com estoques mínimos e virão para as compras, ainda que tenham grandes dificuldades de reposicionar junto aos supermercados os novos preços.
7) Outro fato que facilita a recuperação é que muitas marcas “guerrilheiras” que só aparecem nas gôndolas, com o mercado super ofertado e em baixa, tendem agora desaparecer voltando ao mercado apenas em novo ciclo de baixa.
O mercado de feijão preto segue algumas das premissas acima, que são validadas para o feijão carioca tendo como diferencial o estoque, que nas mãos dos produtores é maior, ainda que não haja cálculos precisos sobre este volume, será negociado durante o segundo semestre, hora com mais intensidade, no momento do pagamento das parcelas de financiamento no fim de Setembro inicio de Outubro, hora com mais tranquilidade. Também a Argentina com uma safra de excelente qualidade, algo ao redor de 140.000 T de preto, não terá alternativas, pois dependerá, em muito, do mercado brasileiro uma vez que outras opções apresentaram dificuldades de importação daquele país, caso da Venezuela. Até o momento, na fronteira os preços estão entre US$ 580,00 e US$ 600,00 devendo firmar durante esta semana. Já no mercado interno, a probabilidade é de preços acima de R$ 90,00 ainda esta semana.
A lenda que em parte é verdadeira também dá sua contribuição. Diz-se que a venda de feijão é maior no inverno. Porém, isto só está comprovado no caso das regiões que consomem carioca e incluem a feijoada no inverno, caso do interior de São Paulo e na região sul onde as geadas e dias frios incentivam uma concha a mais para aquecer. O restante do Brasil consome arroz e feijão todo dia, inverno ou verão, chova ou faça sol.
A questão de sementes também tomará a atenção do mercado, já em julho para o plantio no sul a partir de agosto e a dificuldade será a de sempre - não haverá semente suficiente a qual seja certificada.
Como se aproxima a reunião da Câmara Setorial do Feijão, é oportuno que sugestões sejam enviadas para o IBRAFE – Instituto Brasileiro do Feijão [email protected] , encaminhar pleitos dentro do Ministério da Agricultura. Por exemplo, a existência de contrato de opção para feijão que será plantado a partir de agora incentivando a produção é pertinente. O aumento da quantidade por CPF e prêmio de equalização condizente com a despesa em remover os estoques das zonas de produção para PEPRO E PEP. Também o aumento da divulgação dos benefícios do consumo de feijão pode trazer reflexos positivos e desejáveis para esta cadeia produtiva. As informações são da assessoria de imprensa da Correpar.