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Ferrugem asiática também ameaça o feijão

UEPG constata infecção de lavouras de feijão com a ferrugem asiática da soja


O professor e pesquisador David de Souza Jaccoud Filho, do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), faz um alerta aos produtores de feijão do País para o cuidado com o agente da ferrugem asiática da soja, devido à ocorrência natural de infecções em lavouras de feijão, após pesquisa empreendida e constatação da doença detectada pelo professor e seu grupo de pesquisadores.

Em primeira mão, o trabalho em equipe do professor doutor David Jaccoud Filho, juntamente com Fabrício Bonna Passini (mestrando em Agronomia pela UEPG), Ezequiel Bobato, Richard Paglia de Mello e Salathiel Teixeira (formandos em Agronomia / UEPG), Mário Barreto Figueiredo (Instituto Biológico de São Paulo) e Luciane Henneberg (MSc e técnica do Laboratório de Fitopatologia da UEPG), teve publicação de artigo recente em caderno técnico da revista Cultivar (Pelotas), de circulação nacional, que relata para a comunidade de produtores a ocorrência natural de infecção do agente da ferrugem asiática da soja‚ (Phakopsora pachyrhizi Sydow & P. Sydow) em lavouras de feijão (Phaseolus vulgaris L.).

A matéria em questão alerta também sobre seu potencial de danos para a cultura dessa leguminosa e mostra as possíveis estratégias disponíveis para o manejo da doença, embora não sejam ainda bem definidas para serem implementadas.

Para se ter uma projeção a respeito dos estragos que a ‘ferrugem asiática da soja’ pode causar às lavouras de feijão, David Jaccoud Filho lembra que, “no Brasil, as perdas pela ‘ferrugem comum’, incitada pelo fungo ‘Uromyces appendiculatus’ (Pers.) Unger, têm variado de 20% a 70%”, podendo ser maiores, quando altas severidades do fungo são observadas nas fases de prefloração e florescimento e sob condições climáticas favoráveis, com temperaturas na faixa de 15°C a 25°C e umidade relativa por volta dos 95%”. Já a ‘ferrugem asiática da soja’ no país, provocada pelo fungo ‘Phakopsora pachyrhizi Sydow & P.Sydow, encontra-se disseminada em praticamente todas as regiões produtoras, tendo sido responsável por perdas acumuladas superiores a US$ 1 bilhão, situação que já preocupa os produtores pelos danos consideráveis que poderão trazer às lavouras de feijão”.

Nesse aspecto, Jaccoud Filho afirma que “a preocupação da classe produtora tem respaldo pelo fato da cultura do feijão, em várias partes do Brasil, ocorrer próxima às áreas de cultivo da soja e, principalmente, pelo fungo ‘Phakopsora pachyrhizi’ servir-se das plantas de feijão como cultura hospedeira”.

Doutor em Fitopatologia pela Universidade de Cambridge (Inglaterra) e professor das disciplinas de ‘Fitopatologia Aplicada’ (curso de Agronomia) e de ‘Manejo e Controle de Doenças’ (Mestrado em Agronomia) da UEPG, David de Souza Jaccoud Filho conta que, “na safra passada, nós diagnosticamos a doença em lavouras de feijão cultivadas na mesma época da soja, na região dos Campos Gerais, e logo após a suspeita, a equipe passou a trabalhar no diagnóstico final da sua constatação, junto ao Instituto Biológico de São Paulo, até a sua confirmação em definitivo”. Jaccoud Filho faz questão de lembrar que, nesse ínterim, ele e sua equipe receberam também material suspeito de contaminação, de parte do pesquisador da Basf, Alexandre Prade, cuja análise, posteriormente, comprovou a mesma doença.

Equipe estuda resistências de cultivares

Considerando o potencial de risco da doença para as lavouras de feijão, e também pelo fato dessa leguminosa ser uma cultura de subsistência de importância estratégica para a alimentação do brasileiro, a equipe de pesquisadores da UEPG alerta para o perigo da disseminação da ‘ferrugem asiática’.

Para contribuir na solução dos problemas causados pela doença, David Jacccoud Filho anuncia que o grupo de pesquisa da universidade realiza, nesse momento, estudos com resistências de cultivares de feijão, juntamente com professores da área de ‘Melhoramento de Plantas’ da UEPG, doutores Rodrigo Matiello e José Raulindo Gardingo. “Estamos realizando também trabalhos de ‘Manejo da Doença’ e de ‘Controle Químico’, que serão assuntos da dissertação de mestrado do estudante Fabrício Passini, integrante de nosso grupo de pesquisadores”.

Estratégias de redução de impacto

Possivelmente, uma das primeiras estratégias que poderia ser recomendada, visando a redução de maiores impactos da doença na cultura do feijão, seria uma avaliação das fontes de resistência a Phakopsora pachyrhizi nos diversos materiais de feijão comercialmente utilizados e nos bancos de germoplasmas.

Outras estratégias para redução do impacto da doença na cultura do feijão podem ser: sistemas de rotação de cultura e/ou o estabelecimento de

épocas de semeadura como tentativa de minimizar a potencialização de inóculo do fungo para as culturas da soja e do feijão; redução de possíveis fontes de perpetuação do inóculo do fungo, tais como a eliminação de plantas voluntárias; e otimização do uso dos fungicidas disponíveis para o controle da ferrugem nas culturas da soja e do feijão.

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