Fim do La-Niña, o que esperar do clima?
Veja o boletim de fevereiro e a previsão do clima para Março
Foto: Pixabay
O mês de fevereiro foi consistente em relação às chuvas, sobretudo nas regiões produtoras do centro-sul do Brasil.
O mês iniciou com várias regiões sendo afetadas pelo excesso de chuvas, principalmente em lavouras de soja em maturação e colheita sobre o Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e Sul de Minas Gerais. Bem como em algumas lavouras de milho em Minas, onde houve a detecção de doenças foliares devido à alta umidade. Ao avançar do mês, as precipitações foram se regularizando nessa faixa central do país e migrando para áreas do Paraná, onde persistem até agora.
Outras culturas como o algodão, feijão, soja e até mesmo o arroz – no estado de Goiás – também foram impactados pelo excesso de chuvas, diminuindo o potencial produtivo nas lavouras.
As instabilidades também avançaram para áreas do extremo sul do país. Mas isso somente a partir do segundo decênio deste mês de Fevereiro. Isso trouxe alívio para algumas lavouras, mas não foi o suficiente para salvar a safra do Rio Grande do Sul, visto que algumas perdas acumuladas foram irreversíveis.
No mapa de anomalia – diferença entre o ocorrido e a média – vemos claramente em tons de azul as áreas com os registros de chuvas acima daquilo que seria esperado para o período, concentradas entre o Paraná e sul de Goiás.
Por outro lado, entre o Mato Grosso e nas principais regiões produtoras do MATOPIBA, as precipitações ficaram abaixo daquilo que seria esperado para a época do ano (tons em amarelo).
No extremo sul do País, as chuvas foram retomadas, mas insuficientes para atingir a média e também insuficientes para trazer alguma melhora mais significativa na situação hícrica.

Parte desse comportamento, é explicado ainda pelo padrão climático de La-Niña. O fenômeno está com os dias contados, e é bem possível que a partir deste mês de Março, os índices mudem para a classe de neutralidade. Isso é sinalizado por pelo menos três centros de previsão diferentes, sendo eles o Bureau of Meteorology da Austrália, o NOAA Americano, e o Instituto de Pesquisas para o Clima e Sociedade da Universidade de Columbia.
Entretanto, é importante ressaltar que, mesmo com a mudança do padrão climático, os impactos serão refletidos em pelo menos dois meses. Portanto, ainda para o final desta safra de verão 2022/23 o comportamento das chuvas seguem com as características do La-Niña.
E possivelmente a safra de inverno será desenvolvida com a influência do padrão de neutralidade climática. Outro ponto relevante para a agricultura, é a possibilidade do estabelecimento de um El-Niño a partir do trimestre de MJJ.

CLIMA MARÇO 2023
Como mencionado, o padrão do La-Niña deve permancer atuando no decorrer das próximas semanas, englobando também o mês de Março. Assim, de acordo com a Projeção Agrotempo, as chuvas devem ficar acima da média entre o Paraná, sul de Minas Gerais, praticamente todas as áreas do Centro-Oeste, Tocantins, Maranhão, Piauí e Ceará.
Já nas regiões entre o norte de Minas Gerais e centro-sul da Bahia, a expectativa é de chuvas abaixo da média para o período. Isso pode limitar o desenvolvimento das lavouras de algodão na região e acelerar a maturação das lavouras de milho, porém pode contribuir para os trabalhos de colheita da soja.
Ainda na região nordeste, a tendência é de chuvas também abaixo da média sobre o extremo nordeste do nordeste, abrangendo áreas do leste do Rio Grande do Norte e leste da Paraíba.
Outra região que tem previsão de chuvas abaixo da média, e que vem numa situação crítica para a safra 2022/23 é o sudoeste do Rio Grande do Sul. Além das baixas precipitações, as chuvas de fevereiro foram abaixo da média e a previsão para Março também indicam chuvas abaixo da média.

De maneira geral, as temperaturas esperadas para o mês de março estão dentro do padrão para a maior parte do território nacional. Entretanto, na faixa norte do país, que abrange estados como Roraima, norte do Pará, Amapá e Ceará, é esperado um volume maior de chuvas e, consequentemente, temperaturas mais amenas.
Essa situação se deve ao fato de que, durante o período de chuvas, a umidade do ar aumenta, o que acaba reduzindo a temperatura. Assim, é esperado que a faixa norte do país apresente temperaturas abaixo da média durante o mês de março.
Por outro lado, no Rio Grande do Sul e em algumas áreas do sudeste, onde é esperado um maior número de dias secos, as temperaturas devem ficar acima da média. Isso ocorre porque, sem a presença de chuvas, a radiação solar acaba aquecendo o solo e elevando a temperatura.
