Forum une agenda dos bioinsumos Brasil/Europa
Evento aproxima mercados e expõe diferenças na adoção de biossoluções
Evento aproxima mercados e expõe diferenças na adoção de biossoluções - Foto: Divulgação
A poucos passos do Parlamento Europeu, na sede da holding Sofina, o primeiro BioSolutions Forum reuniu, em Fevereiro de 2026, lideranças do agronegócio brasileiro e europeu para discutir o avanço dos insumos biológicos em dois ambientes regulatórios e produtivos profundamente distintos. O encontro evidenciou tanto a maturidade do mercado brasileiro quanto os desafios estruturais enfrentados pela Europa na transição para sistemas mais sustentáveis.
No centro desse movimento está a BioWorks Europe, braço europeu do BioFirst Group. A companhia integra uma rede global formada também pela BioWorks North America, pela BIOTROP e pela Real IPM Africa, compartilhando pesquisa e desenvolvimento próprios, produção biológica interna e experiência de campo acumulada em diferentes continentes. Essa integração permite acelerar a introdução de tecnologias já testadas, garantir padrão de qualidade e fornecimento consistente e promover melhorias contínuas a partir do aprendizado em variados climas, culturas e sistemas produtivos.
Na prática, a BioWorks Europe atua como plataforma comercial e técnica para levar as biossoluções da BIOTROP aos agricultores europeus, estruturando desenvolvimento de mercado, suporte agronômico e relacionamento com distribuidores em diversos países do continente.
“Atualmente, nossa ambição na BioWorks Europe é levar soluções premium e inovadoras do Brasil para o continente europeu. Como parte do BioFirst Group e com o forte pipeline de inovação e a capacidade produtiva da BIOTROP, estamos muito bem posicionados para fazer isso com sucesso e rapidez. Nossa equipe europeia está focada em codesenvolver e comercializar essas biossoluções da BIOTROP com nossos parceiros de distribuição e com os produtores europeus. Com a rápida redução de ferramentas eficientes e economicamente viáveis disponíveis aos agricultores da Europa, essas novas soluções são essenciais para manter uma produção de alimentos confiável e de alta qualidade no continente”, afirmou Lara Ramaekers, vice-presidente da BioWorks.
Durante o evento, Jonas Hipólito, presidente da BIOTROP e integrante da liderança do BioFirst Group, destacou que o objetivo central do fórum foi conectar duas realidades complementares. Segundo ele, o encontro foi cuidadosamente preparado para reunir lideranças dos dois continentes em um dia inteiro de troca técnica e estratégica.
Hipólito ressaltou que o Brasil vive uma adoção em larga escala dos biológicos impulsionada principalmente por critérios econômicos. No mercado brasileiro, explicou, o produtor toma decisões com base em controle de custos, aumento de rentabilidade e desempenho agronômico comprovado, sobretudo em situações em que as soluções convencionais já não entregam os mesmos resultados.
Esse cenário contrasta com o ambiente europeu, onde a pressão por tecnologias sustentáveis é intensa, mas a oferta de ferramentas disponíveis ainda é limitada. Além disso, muitas das soluções existentes não apresentam, de forma clara, o mesmo componente de rentabilidade que tem sustentado a expansão dos biológicos no Brasil.
Representantes de grupos como Atvos, Coruripe, Cocal e Pedra Agroindustrial apresentaram estudos de caso demonstrando índices de adoção de biológicos entre 35% e 100% das áreas cultivadas, sobretudo na cana-de-açúcar. O dado que mais chamou a atenção do público europeu foi o fato de essa expansão ocorrer majoritariamente por razões econômicas e de performance, e não por imposições regulatórias.