Francês aborda processamento de carnes em workshop
Jean Rozè destacou a grandiosidade do rebanho bovino brasileiro
Com mais de 30 anos de experiência no processamento de alimentos na França e responsável pela condução de processos de qualidade e certificação em toda a Europa e Ásia, o especialista francês Jean Yves Rozè, representante do ECTI (Echanges et Consultations Techniques Internationaux), da França, foi a principal atração do 1º Workshop Tendências e Tecnologias no Processamento de Carnes promovido pelo Senai em Dourados nesta quinta-feira (23/09) e sexta-feira (24/09). Em Dourados desde o início da semana passada para visitar várias indústrias da região e promover intercâmbio técnico e tecnológico, Jean Rozè destacou a grandiosidade do rebanho bovino brasileiro.
“O rebanho brasileiro é de aproximadamente 200 milhões de cabeças e o abate anual no País é de 45 milhões de reses, o que equivale a 27% do comércio mundial. O consumo de carne bovina proveniente do comércio brasileiro é de 1/3, ou seja, para cada três quilos de carne exportada no mundo, um é proveniente do Brasil”, detalhou o especialista francês, completando que a carne brasileira está se tornando concorrente da européia. “O Brasil precisa continuar atento ao aspecto sanitário, investindo na rastreabilidade e na melhora na qualidade genética do rebanho”, aconselhou.
Segundo Jean Rozè, a região de Dourados tem muito potencial para crescer nas técnicas de industrialização desde que cumpram com o rigor necessário para atender as exigências de sanidade do produto e qualidade. “O Senai é um auxílio para essas empresas aperfeiçoarem essas técnicas e qualificar seus funcionários nas boas práticas de fabricação. A associação ECTI tem a intenção de favorecer a transferência de tecnologia, não trazemos a solução pronta, mas detectamos como se pode fazer melhor”, disse.
Especialmente convidado pelo Senai, o especialista francês em carnes também tratou sobre os sistemas tecnológicos do processamento de carnes e derivados e das tendências no consumo de carnes e alimentos processados. Auxiliado pelos técnicos Damião Agnaldo de Carvalho e Melito Carraro, Jean Rozè ainda acompanhou todos os procedimentos práticos que estão sendo desenvolvidos com os alunos inscritos no 1º Workshop de Cooperação Internacional - Tendências e Tecnologia no Processamento de Carnes.
Para Judite Maria Koch Schaedler, supervisora técnica na área de carnes do Cetec Senai Dourados, a visão de um especialista de fora, com outra realidade, proporcionou aos profissionais o conhecimento e as tendências para o futuro na área de carnes. “Nosso intuito é atingir o público com áreas de interesse em comum, como frigoríficos, mercados, casas de carne, além de estudantes de cursos voltados para a área de medicina veterinária, zootecnia, entre outros”, afirmou.
Responsável pelo departamento de garantia de qualidade da BRF Brasil Foods de Dourados, Eduardo Dutra, salienta que a troca de experiências e informações entre especialistas de dois países é muito importante porque proporciona benefícios técnicos e, consequentemente, melhoria no produto que é oferecido ao cliente. “É sempre bom poder debater sobre o sistema
empregado na indústria e estar aberto para inovações”, avaliou.
De Naviraí até Dourados são 131 quilômetros o que não desanimou Mirahy Fonseca, 20 anos, funcionário do açougue de um supermercado da cidade, onde há quatro anos desempenha a função de desossa e cortes de carne. “Eu acredita que o conhecimento extra é sempre bem-vindo. A gente sempre tem que buscar o novo, conhecer mais e mais para aplicar todo o aprendizado no nosso dia-a-dia”, reforçou.
O tema atrai não só especialistas ou profissionais que atuam na área de carnes, mas também acadêmicos de cursos voltados para área de alimentação, veterinária e zootecnia. A estudante Taís Murakami, 21 anos, acadêmica de Medicina Veterinária, é prova de que o conhecimento ajuda a buscar novos horizontes. “Essa é a primeira vez que estou participando de um workshop na área de carnes. Por isso, estou para me formar e ainda não decidi em que área atuar, por isso estou aqui em busca de novos horizontes”, disse.
De acordo com o gerente do Cetec Senai Dourados, Gilberto Evídeo Schaedler, o objetivo principal da entidade com a realização do 1º Workshop Tendências e Tecnologias no Processamento de Carnes foi facilitar e contribuir com a competitividade, além de estar em busca de novas potencialidades para que esse seja um fator de desenvolvimento de Dourados e região. “Nosso grande intuito é o de promover a transferência de tecnologia entre as indústrias locais e outros pólos e com esse workshop visamos fortalecer a cadeia produtiva de carnes”, analisou.