O uso de fungicidas sistêmicos não garante, por si só, proteção suficiente às folhas inferiores das plantas. Segundo o engenheiro agrônomo Diogo Paiva, a movimentação dos ativos depende de propriedades físico-químicas e das vias de transporte, sem dispensar a cobertura da pulverização.
Entre 20 ingredientes ativos, a solubilidade em água varia de 0,49 a 95 mg/L, diferença de aproximadamente 194 vezes. O flutriafol apresenta 95 mg/L, contra 0,81 mg/L do mefentrifluconazol. O fluopiram registra 16 mg/L, enquanto o bixafem tem 0,49 mg/L. Essas diferenças não representam ganhos proporcionais de eficiência ou deslocamento na planta.
A redistribuição também apresenta limites. Fungicidas de contato, como mancozebe e clorotalonil, atuam principalmente nas superfícies atingidas. Produtos translaminares podem atravessar a folha tratada, sem necessariamente alcançar outras folhas da lavoura. Piraclostrobina e trifloxistrobina têm ação translaminar.
Nos ingredientes transportados pelo xilema, a movimentação acompanha predominantemente o fluxo ascendente de água. Por isso, a aplicação nas folhas superiores não assegura que o fungicida desça até o baixeiro em quantidade suficiente para controlar doenças.
Em um exemplo hipotético, se o terço superior recebe 2,0 microgramas por centímetro quadrado e o inferior 0,4, a deposição no baixeiro equivale a 20% da registrada no topo. Isso não significa, contudo, perda de 80% na eficiência do controle.
A consulta de defensivos agrícolas pode auxiliar na identificação dos produtos, mas a aplicação deve ser avaliada nos terços superior, médio e inferior. Solubilidade, formulação, absorção e transporte precisam ser considerados em conjunto para verificar se o tratamento alcança as folhas que necessitam de proteção.