O mercado de trigo no Sul combina concorrência das importações, perdas de qualidade na safra e oferta restrita de lotes para panificação. Segundo a TF Agroeconômica, a queda dos preços internacionais pressiona o cereal argentino, que chega abaixo das novas pedidas do produto nacional no Rio Grande do Sul.
No estado, a consultoria relata indicadores de qualidade desfavoráveis nos lotes novos, com FN baixo e DON alto. Em Panambi, o preço de balcão caiu R$ 2,00, para R$ 73,00 por saca. As cotações do trigo variam conforme a qualidade disponível.
Em Santa Catarina, a alta do dólar elevou em cerca de R$ 170 por tonelada o custo de importação, segundo o levantamento. Trigo novo da região de Ponta Grossa foi indicado a R$ 1.600 por tonelada entregue no estado, sem informação sobre qualidade.
Para 2026/27, a Epagri estima produção catarinense de 243 mil toneladas, queda de 37%, com redução de aproximadamente 35% na área e de 2,5% na produtividade.
No Paraná, as chuvas dificultam a colheita e comprometem a qualidade, enquanto a escassez de trigo panificável mantém os preços elevados. As referências são de R$ 1.650 por tonelada para o tipo 1, R$ 1.450 para o tipo 2 e R$ 1.200 para o tipo 3, este com recuo de R$ 100. Os dois últimos valores são na modalidade CIF, com frete incluído.
Na importação, o trigo argentino foi negociado a US$ 300 por tonelada no porto. O paraguaio teve pedida de US$ 330 em Ponta Grossa, sem negócio confirmado. Para trigo destinado à ração, tradings indicam R$ 1.100 a R$ 1.150 por tonelada, com entrega no porto. As vendas para exportação pelos portos do Paraná são estimadas entre 260 mil e 300 mil toneladas, em meio a dificuldades logísticas.