Governador do MT propõe criação de fundo contra o desmatamento
Proposta visa recompensar produtores rurais da Amazônia por não desmatar
Um dia após se reunir com representantes de algumas das maiores ongs ambientais do mundo, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, lançou nesse domingo (29-04), em Nova York, a proposta de criação de um fundo internacional para custear o que chamou de “desmatamento evitado”, o que, segundo ele, poderia reduzir em até 50% os atuais indicadores.
O dinheiro, explicou, seria destinado aos produtores que se abstivessem de abrir os 20% a que têm direito na região. “O que os produtores amazônicos querem é receber pelos serviços ambientais prestados ao mundo. Ninguém vai fazer isso se não houver uma recompensa financeira”, argumentou.
Maggi lançou a proposta em discurso a empresários, políticos e banqueiros presentes ao simpósio “Brasil: 27 Países, uma Nação”, organizado pelo Council of the Americas – presidido pelo megaempresário e banqueiro nova-iorquino David Rockefeller.
“Se a Amazônia é importante para o mundo, alguém precisa ajudar os estados amazônicos a terem alguma renda, alguma receita, caso contrário não iremos encontrar esse equilíbrio”, continuou o governador, que citou números sobre a atual taxa de ocupação do território do Estado, inferior a 40%.
Outros sete governadores de estados brasileiros participaram do evento e puderam falar sobre as oportunidades de investimento e negócios para suas regiões. Antes de cada discurso, porém, os organizadores lançavam alguns questionamentos sob medida.
No caso de Maggi, as perguntas foram em relação aos possíveis impactos ambientais da produção de biocombustíveis. Em outras palavras, se haveria um novo e acelerado ciclo de desmatamentos em função da necessidade do plantio de cana, soja e outras matérias-primas.
Maggi negou a possibilidade. Segundo ele, o segmento ira se desenvolver sobre as áreas já ocupadas. “Nós temos espaço para receber grandes investidores na área do álcool sem que tenhamos de utilizar a floresta amazônica ou o Pantanal para isso”.
O principal alvo seriam as áreas de pastagens, em especial aquelas com baixa produtividade. “Só nas áreas de cerrado atualmente ocupadas pela pecuária poderão ser produzidos quantos bilhões de litros de etanol de que o Brasil e o mundo precisarem”, assegurou.
De forma cautelosa, Maggi admitiu a existência de dívidas relacionadas à gestão ambiental em Mato Grosso. “Não podemos mais aceitar as coisas como vinham acontecendo até bem pouco tempo atrás, com agressões ao meio ambiente ou o não respeito à legislação ambiental”.
Mas o maior risco para Amazônia, segundo ele, são as emissões de gases de efeito estufa pelos países ricos, responsáveis por mudanças climáticas que poderão, segundo estudo recente divulgado pela ONU, converter a região em uma gigantesca savana.
“Mesmo que não façamos mais nada na Amazônia, se o mundo não se preocupar em reduzir suas emissões, a Amazônia irá acabar, como está demonstrado pelos painéis do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima, ligado à ONU). Para que o estado de Mato Grosso e o Brasil participem ativamente da redução do aquecimento global, algo mais precisa ser feito. A remuneração pelo desmatamento evitado pode ser um destes caminhos”.