Produtores paulistas de cana-de-açúcar, laranja e amendoim enfrentam prejuízos que comprometem a renda e a capacidade de pagamento. Para dimensionar a crise, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo publicou, em 21 de outubro, um diagnóstico técnico com dados econômicos, climáticos e fitossanitários, que pode subsidiar a renegociação de dívidas rurais por meio da Medida Provisória (MP) nº 1.376/2026. O prazo para contratação de crédito previsto na medida termina em 12 de novembro de 2026.
O levantamento reúne informações sobre os custos de produção, os preços e as perdas nas três cadeias produtivas. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, o objetivo é fornecer respaldo técnico e econômico aos produtores nas negociações com as instituições financeiras.
“O produtor rural está apanhando de fatores que não controla: clima, alta nos custos de produção, oscilação de mercado e o preço do dinheiro. Sabendo disso, levantamos os números reais do prejuízo nas lavouras do Estado. O que estamos entregando hoje é a prova irrefutável de como a renda foi corroída. O objetivo não é apenas gerar um diagnóstico, é dar a ferramenta em números para que o produtor paulista sente na frente do gerente do banco, exija a renegociação da sua dívida dentro da MP e tenha fôlego financeiro para continuar plantando”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento de SP, Geraldo Melo Filho.
Custos e prejuízos nas lavouras paulistas
Na cadeia da cana-de-açúcar, o estudo aponta um aumento expressivo no custo agrícola por tonelada. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, o valor passou de R$ 102,30 na safra 2020/21 para R$ 177,00 na safra 2025/26.
Na citricultura, as estimativas indicam margens negativas de R$ 4.837 por hectare em áreas sem greening, doença que afeta os pomares. Nas áreas atingidas pela doença, o prejuízo pode chegar a R$ 9.020 por hectare.
Para o amendoim, a projeção para 2026 também é negativa. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, o resultado estimado é de perda de R$ 5.940 por hectare.
O diagnóstico completo está disponível para consulta no site do Instituto de Economia Agrícola (IEA).
Como funciona a renegociação de dívidas rurais pela MP 1.376/2026
Diante das perdas, a Secretaria orienta os produtores a procurarem imediatamente suas instituições financeiras para verificar as possibilidades de renegociação previstas na Medida Provisória federal nº 1.376/2026.
A medida autoriza linhas de crédito para o setor agropecuário, sujeitas à análise das instituições financeiras. Para se enquadrar, o produtor precisa comprovar perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, além de uma redução de, no mínimo, 30% da renda bruta agropecuária esperada.
A documentação individual é uma etapa fundamental do processo. A comprovação das perdas exige um laudo emitido por profissional habilitado. O diagnóstico elaborado pela Secretaria oferece informações econômicas sobre as cadeias produtivas e pode servir de apoio às negociações. No entanto, o documento não substitui o laudo individual exigido pelas instituições financeiras para comprovar as perdas de cada produtor.
Prazo para contratar crédito termina em novembro
O prazo para contratação previsto na MP nº 1.376/2026 termina em 12 de novembro de 2026. Como o processo envolve a elaboração de laudos e a análise dos pedidos pelos bancos, a orientação da Secretaria é que os produtores iniciem os procedimentos o quanto antes.
A recomendação é entrar em contato com a instituição financeira para verificar os critérios aplicáveis, reunir a documentação necessária e providenciar a comprovação individual das perdas dentro do prazo estabelecido.