Mais um grupo sucroalcooleiro do Nordeste finca suas bases no Centro-Sul do país. Trata-se da companhia alagoana Tenório Costa, que anunciou a compra da destilaria Decasa (ex-Caioá), em Presidente Prudente, oeste do Estado de São Paulo. O negócio foi fechado por R$ 30 milhões, já incluindo investimentos no arrendamento de terras e na modernização do parque fabril, de acordo com o diretor do grupo nordestino, Durval Guimarães Filho.
Em entrevista ao Valor, o executivo afirmou que a destilaria entrará em operação na próxima safra, a 2004/05, com previsão de esmagamento de 600 mil toneladas de cana-de-açúcar. Segundo Guimarães, a destilaria estava desativada desde 1995, quando seus antigos proprietários - um grupo de pecuaristas da região de Presidente Prudente - decidiram abandonar as atividades.
Com um faturamento estimado em R$ 150 milhões, o grupo Tenório Costa já opera duas usinas de açúcar e álcool no Nordeste, com um esmagamento total de cerca de 2 milhões de toneladas de cana. Além de usinas de açúcar e álcool, a família controla uma revenda de automóveis, distribuidoras de combustíveis e cria gado.
Há mais de um ano, o grupo estava de olho em usinas do Centro-Sul. Mas as primeiras investidas não tiveram êxito. A opção de compra pioneira foi em Minas Gerais, mas logo foi descartada. Antes de adquirir a Decasa, os executivos tentaram fechar a compra de outra usina paulista, também frustrada por questões jurídicas. A aquisição da Decasa, em negociação há quase um ano, também não foi fácil, uma vez que o grupo alagoano teve de negociar dívidas trabalhistas antes de concluir o negócio.
Neste primeiro ano de operação, a Decasa só irá produzir álcool, afirmou Guimarães. Segundo ele, a destilaria receberá investimentos em seu parque industrial e, a partir de 2005, dobrará a capacidade de moagem de cana, para 1,2 milhão de toneladas, e começará a produzir açúcar. "Nossa meta é que a usina feche com faturamento de R$ 50 milhões no primeiro ano", diz.
Com a aquisição da Decasa, o grupo alagoano segue o caminho de outros conglomerados nordestinos que também investiram no Centro-Sul, como os grupos J. Pessoa, com dez usinas no país, Tércio Wanderley, que confirmou aporte de R$ 60 milhões em sua terceira usina em Minas Gerais, e Carlos Lyra.
Com área plantada limitada para cana, a topografia acidentada do Nordeste limita a expansão de grupos do setor. "O Nordeste não tem novas fronteiras agrícolas para cana-de-açúcar", disse Pedro Robério de Melo Nogueira, diretor do Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Alagoas. Segundo Melo, grupos capitalizados do Nordeste, como o Tenório Costa, trabalham com a expectativa de avançar para o Sul do país. "A expansão do grupo para o Centro-Sul dependia apenas de uma boa oportunidade, o que acabou acontecendo".