Homem faz "trabalho" da mamangava no Brasil

Agronegócio

Homem faz "trabalho" da mamangava no Brasil

O aluguel de abelhas para polinização no Brasil tem forte potencial, mas ainda é um negócio incipiente
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O aluguel de abelhas para polinização no Brasil tem forte potencial, mas ainda é um negócio incipiente. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), há casos pontuais desse tipo de serviço nas plantações de melão no Rio Grande do Norte e Ceará, e também nas lavouras de maçã de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

"É um assunto que se discute há algum tempo, mas ainda são casos restritos", diz Bráulio Dias, diretor de Conservação de Biodiversidade do MMA. As colmeias, em geral, são do mesmo município ou de localidades vizinhas.

Segundo ele, falta ainda ao produtor agrícola brasileiro o conhecimento sobre a importância da polinização. "Quando a safra não é boa, o produtor tende a achar que é culpa da falta de nutrientes no solo ou de água. Raramente ele pensa que pode ter sido um déficit de polinização".

O maracujá é um caso clássico, explica Dias. A falta de criadores da mamangava - uma abelha graúda e preta, popularmente conhecida como vespa-de-rodeio - levou os produtores paulistas da fruta a lançar mão da polinização manual. "Não é a resposta mais sustentável nem barata", afirma o representante do governo. "E ainda equivale a cerca de 20% do custo de produção do maracujá".

É um trabalho delicado, preferencialmente realizado por mulheres. Com dedais de flanela, os trabalhadores dessas lavouras passam de planta por planta, entre às onze da manhã e às cinco da tarde (período em que as flores se abrem), para retirar o pólen de uma flor e depositá-lo em outra.

"A polinização do maracujá é praticamente 100% manual, mas tradicionalmente foi assim", diz Angelo Rossi, presidente da Associação de Fruticultura da Região de Vera Cruz. "São três pessoas por hectares, que além da polinização fazem o manejo. A polinização manual, portanto, está incorporada no custo".

Breno Magalhãoes Freitas, agrônomo e professor da Universidade Federal do Ceará, acredita que se houvesse mais criadores da mamangava no país, isso não seria mais preciso. "A abelha faz isso de graça", diz, lembrando que nas plantações de graviola, no Nordeste brasileiro, o custo de produção também é alto devido à falta de polinizadores naturais.

O pesquisador vai além: afirma que se o Brasil não investir em criação de espécies diferentes de abelhas, corre o risco de passar pela mesma experiência dos Estados Unidos. Aqui, assim como no país da América do Norte, a maioria esmagadora desses insetos pertence à espécie Apis melliferas, a abelha europeia ou africanizada.

"Nos EUA, uma suposta doença [a desordem de colapso de colônias, cuja sigla em inglês é CCD] pode ser responsável pelo declínio na população. Se acontece isso aqui, teremos problemas".

A vantagem dessa espécie é que ela é uma abelha "generalista" - poliniza praticamente todas as plantas. Outro ponto a seu favor é a caractarística altamente social desse grupo, que vive em grandes números. "São populações de 60 mil, 80 mil abelhas por colmeia", acrescenta Freitas. "Daí a sua preferência pelos criadores".

Na tentativa de mapear melhor esse mercado, o Ministério do Meio Ambiente lançou, em 2004, um edital para pesquisa com 20 culturas do país - maracujá entre elas. Os 13 projetos escolhidos receberam em média R$ 100 mil, cada, para apresentar um relatório técnico que contemplasse detalhes sobre os polinizadores, suas demandas e a biologia das plantas. A ideia é produzir literatura de alto nível nacional e manuais para os produtores.
 

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