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Horta à base de água

Hidroponia volta a ganhar espaço no Paraná


Quebrando tabus, hidroponia volta a ganhar espaço no Paraná após pesquisas que comprovam sua eficiência; menor utilização de mão de obra e produção durante todo o ano atraem produtores

Por alguns anos, a hidroponia – ciência de cultivar plantas sem solo e à base de solução nutritiva balanceada - foi colocado em xeque pelos pesquisadores brasileiros. Os estudos apontavam que a planta manejada por esse sistema apresentava maiores quantidades de nitrato (encontrado nos fertilizantes) em seu tecido, e que depois de ser ingerida, poderia causar problemas na respiração celular e até câncer. Porém, ao longo dos anos, esse tabu foi quebrado por diversas novas pesquisas, algumas inclusive, que apontam maiores quantidades de nitrato nos cultivos tradicional e orgânico.


Alguns desses estudos contra o sistema hidropônico foram realizadas no Paraná e acabaram freando a produção no Estado. Agora, entretanto, os produtores voltaram a ter interesse pela hidroponia graças aos seus nítidos benefícios, como a menor utilização de mão de obra, produção durante todo o ano, maior durabilidade dos produtos na prateleira e ótima palatabilidade. De forma simplista, o sistema funciona da seguinte forma: a água adubada (com nitratos de cálcio,potássio, sulfatos de magnésio, potássio, zinco e manganês, entre outros) passa por meio das caneletas suspensas e é absorvida pela raiz das plantas. Em média, uma alface hidropônica, por exemplo, consome de 75 ml a 100 ml de água por dia.

Como os números de produção ainda são insipientes, é difícil estimar a produção de hidropônicos no Paraná. Mas o Estado está entre os principais produtores, juntamente com São Paulo (1º da lista), Rondônia (2º), Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Bahia. "A Hidroponia como exploração agrícola é recente, da década de 1990. Hoje, o sistema está muito forte, com diversas tecnologias, que estão sendo repassadas aos produtores pela internet, cursos e encontros sobre o assunto", explica um dos maiores especialistas da técnica do País, o doutor em engenharia agrícola na área de irrigação e drenagem, Jorge Luiz Barcelos Oliveira.

Oliveira está à frente do principal reduto que estuda o assunto no País: o Laboratório de Hidroponia (LabHidro) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A universidade foi pioneira em instalar uma estrutura de hidroponia que simula situações reais de cultivo, semelhante a de um produtor rural. A ideia central foi acumular experiência prática e, simultaneamente, gerar e repassar conhecimentos.


Mão de obra
Entre as vantagens da produção hidropônica está também a facilidade de manejo e consequentemente, pouca exigência de mão de obra. De acordo com os pesquisadores do Laboratório de Hidroponia (LabHidro) da Universidade Federal de Santa Catarina, com a estrutura já instalada, apenas duas pessoas são suficientes para administrar todo o sistema de cultivo, incluindo distribuição e venda. Tem sido comum, por exemplo, produções de 10 mil maços de alfaces/mês sendo conduzidas por apenas duas pessoas.

Foi esta uma das razões que levou o produtor londrinense, Mauro Ogasawara a mudar para o sistema de cultivo, depois de 30 anos de produção de hortaliças pelo método convencional. Há dois anos, devido a problemas em encontrar trabalhadores para ajudá-lo em sua propriedade, ele resolveu pesquisar sobre a técnica da hidroponia. Visitou produtores do interior de São Paulo considerados modelo e começou a apostar no sistema.

Hoje, o produtor possui uma área com sete estufas totalizando seis mil metros quadrados para a produção de três variedades de alface, rúcula e um pouco de cheiro verde. A produção atual de Ogasawara é de 1.080 maços de alface por dia e 600 de rúcula semanalmente. "O investimento inicial em infraestrutura é pesado, mas estou animado em ampliar minha área com hidroponia. Estou parando com o plantio tradicional e vou apostar todas as minhas fichas nesta técnica", afirma.


E vale lembrar que o principal objetivo foi conquistado. Hoje, para lidar com suas sete estufas ele conta com o trabalho de apenas seis pessoas, de forma bem mais tranquila. "A adaptação do pessoal foi muito boa. Quem sabe lidar com o plantio tradicional, certamente vai gostar mais de trabalhar com a hidroponia", complementa Ogasawara, que faz venda direta para sacolões e supermercados de 80% do que produz.
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