IAC colhe banana imune à sigatoka
CI
Agronegócio

IAC colhe banana imune à sigatoka

Por:

Fruta é imune à variedade amarela da doença que reduz a produção e é freqüente em SP. São Paulo colhe este ano a primeira safra de uma nova variedade de banana do tipo nanica, a Nanicão IAC 2001, desenvolvida pelo IAC (Instituto Agronômico de Campinas), órgão da secretaria estadual da Agricultura. A fruta tem como principal característica ser resistente à sigatoka amarela, doença causada por fungos que seca as folhas da bananeira, reduzindo drasticamente a produção.

Por ser resistente à doença, a Nanicão IAC 2001 dispensa a pulverização. Segundo o pesquisador do Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronégocio de Frutas do IAC, Luiz Antonio Junqueira Teixeira, a nova variedade reduz os custos com defensivos e gera frutos de melhor qualidade. Em São Paulo, o controle da sigatoka amarela requer de quatro a sete pulverizações por ano. Cada uma custa cerca de US$ 40 por hectare.

"Daí se verifica a economia para o produtor, além dos benefícios para a saúde do trabalhador rural", diz Teixeira. "Para o consumidor, a nova variedade chega mais saudável, com o triplo de vitamina C e mais digestiva; os comerciantes também encontram vantagem na Nanicão, pois ela tem vida mais longa na prateleira e uma aparência melhor, por não apresentar pintas pretas na casca."

São Paulo tem, segundo o Instituto de Economia Agrícola da secretaria da Agricultura (IEA) cerca de 60 mil hectares plantados com banana. Deles, 80% estão localizados no Vale do Ribeira. Segundo o diretor do IEA Nelson Martin a produção paulista é consumida no mercado interno, com uma pequena exportação para a Argentina. "Já fomos grandes exportadores, mas perdemos a posição com o crescimento da produção de Santa Catarina e um projeto de exportação implantado por uma multinacional norte-americana no Rio Grande do Norte." O estado produz cerca de 1,1 mil toneladas da fruta por ano.

Embora acabe com o problema da sigatoka amarela, a nova variedade desenvolvida pelo IAC é suscetível à sigatoka negra, comum na região Norte e em parte do Centro-Oeste do País. A sigatoka negra provoca as mesmas conseqüências da amarela, mas com velocidade três vezes maior. A sigatoka amarela está no Brasil há 40 anos; já a variedade negra chegou ao País em 1998, migrando da América Central.

A pesquisa que resultou na Nanicão IAC 2001 teve início em 1995 no IAC. Em 2002, o Instituto Agronômico selecionou uma nova variedade, que apresentou resistência às duas sigatokas. Em São Paulo, onde há a sigatoka amarela, a variedade foi testada durante cinco anos e tem se mostrado resistente. Como não existe a sigatoka negra no estado a resistência à doença foi testada durante dois anos em Manaus, região onde ocorre o fungo.

Na primeira geração de plantas, a Nanicão IAC 2001 se mostrou resistente à sigatoka negra. Porém, na multiplicação, com maior número de plantas, a resistência foi quebrada. Segundo Teixeira, isto aconteceu provavelmente em função de variações genéticas do mesmo fungo causador da doença. Para Teixeira, as bananas suscetíveis (grupo do Nanicão e Prata) à sigatoka negra devem passar por um rigoroso controle químico da doença, além do acomapanhamento de sua disseminação e a fiscalização do transporte das frutas de áreas infectadas - como ocorre com as bananas-maçã que chegam do Centro-Oeste - embaladas nas próprias folhas da bananeira. "Essas folhas podem transportar o patógeno causador da doença, transmitido também pelo vento", diz.

Regina Neves


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.