Importação de trigo argentino cresce, mas qualidade do grão preocupa moinhos
Produção argentina foi estimada em 24,5 milhões de toneladas
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A expectativa de aumento nas importações brasileiras de trigo da Argentina vem acompanhada de um alerta para os moinhos nacionais: a qualidade do produto colhido pode estar comprometida. Segundo a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA, os argentinos devem dispor de até 20 milhões de toneladas para exportação em 2025/26, sendo 5 milhões destinadas ao Brasil.
A produção argentina foi estimada em 24,5 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Comércio de Rosário, com estoques totais alcançando 28 milhões de toneladas. A maior oferta ajuda a manter os preços internos sob controle, com o saco sendo negociado entre R$ 55,00 e R$ 66,00 em praças do Sul.
No entanto, visitas técnicas realizadas durante o Giro Abitrigo-Argentina revelaram preocupação com a ausência de segregacão na exportação e os efeitos do clima sobre a qualidade do trigo colhido. Moinhos brasileiros estão em alerta para evitar impactos na produção nacional de farinhas. O mercado também acompanha a movimentação cambial. A leve desvalorização do real em relação ao dólar nos últimos dias favorece as importações, tornando o trigo argentino mais competitivo. No Brasil, a colheita já foi concluída na maior parte das regiões produtoras.
Segundo a CEEMA, o valor médio pago ao produtor gaúcho foi de R$ 55,09 por saca. Com uma safrinha nacional menor e custos de produção ainda elevados, os moinhos devem seguir dependentes do trigo importado, reforçando a necessidade de rigor na análise de qualidade dos lotes argentinos.