Índia rejeita pressão para ceder em negociação agrícola da OMC
Índia diz que subsídios dos países desenvolvidos são um grande desafio à conclusão bem-sucedida das negociações
A Índia firmou posição nesta sexta-feira (04-05) e rejeitou os apelos para flexibilizar suas importações, dentro das complicadas negociações agrícolas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O ministro do Comércio e da Indústria, Kamal Nath, disse que as propostas apresentadas pelo presidente das negociações, o embaixador neozelandês Crawford Falconer, eram desiguais e decepcionantes.
Falconer disse que os países em desenvolvimento terão de reduzir a exigência de que até 20% de seu mercado agrícola fique protegido da concorrência.
"Tenho de manifestar minha decepção", disse Nath numa entrevista coletiva. "O documento (de Falconer) sofre de várias desigualdades ... Eles não estão pensando direito no sustento dos agricultores nos países em desenvolvimento", disse ele.
Nath reclamou que Falconer não está fazendo exigências suficientes para os países ricos da OMC, principalmente os Estados Unidos e a União Européia, para que eles reduzam os subsídios agrícolas que, para a Índia e outros países em desenvolvimento, distorcem o mercado mundial.
"Os subsídios dos países desenvolvidos são um grande desafio à conclusão bem-sucedida das negociações", disse. Os principais países que compõem a OMC gostariam de obter um acordo final para a rodada de Doha, que já dura cinco anos, até o fim do ano. Isso significa que a estrutura básica de um acordo teria de ser definida até agosto.
"Quero que a rodada termine, mas é preciso levar em conta que o conteúdo é tão importante quanto a conclusão", disse o ministro. Autoridades do G4, formado por Brasil, União Européia, Índia e Estados Unidos, mantiveram negociações por três dias em Londres esta semana, preparando-se para a reunião ministerial que acontece em 17 e 18 de maio em Bruxelas.
A reunião de Bruxelas será seguida por outras três até meados de junho, quando o G4 pretende já ter obtido um consenso para facilitar o fechamento do acordo com todos os membros da OMC. Embora tenha havido algum progresso em Londres, ainda há grandes discordâncias, segundo autoridades que participaram das negociações. "Os EUA estão cautelosos em falar sobre números no que diz respeito a subsídios", disse uma fonte diplomática.
Alguns diplomatas afirmam que Washington indicou que pode reduzir o teto para os subsídios, da oferta oficial de entre 22 e 23 bilhões de dólares para entre 17 e 19 bilhões de dólares. Mas outras fontes dizem que esse montante já é bem maior do que o país gasta de fato, portanto a oferta não representa nada para os países em desenvolvimento, que por sua vez estão sendo pressionados a abrir seus mercados para bens manufaturados e agrícolas.